Relatório final da CPI do Cachoeira pode ser lido hoje

Parlamentares membros da comissão se reúnem hoje para discutir o texto, que foi alvo de críticas de tucanos e do grupo dos independentes

iG São Paulo |

A CPI do Cachoeira , destinada a investigar o esquema criminoso comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira , se reúne nesta quinta-feira para a leitura do relatório final, divulgado ontem pelo deputado Odair Cunha (PT-MG) . A leitura estava prevista para ontem, mas foi adiada após parlamentares reclamarem que não tiveram tempo de ler o texto, com mais de 5 mil páginas.

O relatório acusa 46 pessoas de terem ligação direta com o esquema ilegal de Cachoeira , pede o indiciamento de 34 agentes privados e a responsabilização de 12 agentes públicos com foro privilegiado.

Veja o especial do iG sobre a CPI do Cachoeira

Agência Câmara
Parlamentares participam de sessão da CPI do Cachoeira na quarta-feira (21)


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Entre os que tiveram pedido de indiciamento, estão o próprio contraventor, por oito crimes (peculato, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa, fraude a licitações, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e responsabilização pela Lei de Improbidade Administrativa); o empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha; e cinco jornalistas, por envolvimento com a quadrilha, entre eles Policarpo Júnior, da revista Veja .

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Leia a íntegra do relatório de Odair Cunha

Entre os políticos responsabilizados estão o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por sete crimes (quadrilha, corrupção passiva, tráfico de influência, falso testemunho, lavagem de dinheiro, crime contra Lei de Licitações, e advocacia administrativa, que é o uso indevido das facilidades do cargo ou das funções que ocupa); o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), por quatro crimes (corrupção passiva, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa); o deputado federal Carlos Leréia (PSDB-GO) por seis crimes (formação de quadrilha, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e lavagem de dinheiro) e o senador cassado Demóstenes Torres por cinco crimes (quadrilha, corrupção passiva, peculato, advocacia administrativa e improbidade administrativa).

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Por ser governador, Perillo goza de prerrogativa de função, por isso o relator propôs o envio de cópia do relatório ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O texto pede ainda a investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel , pois, segundo o relator, suspendeu "sem justificativas" as investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal, iniciada em 2009, que apontou os primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, como o senador cassado Demóstenes Torres .

O relatório final da CPI foi alvo de críticas dos parlamentares , que pediram a prorrogação dos trabalhos da comissão, bem como a reconvocação de Cachoeira, uma vez que ele foi solto na madrugada de ontem do presídio da Papuda, em Brasília . O contraventor estava preso há nove meses. O relator admitiu ontem que o texto poderá sofrer alterações.

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A oposição ao relatório dividiu-se em duas frentes: os tucanos, que se articulam para livrar Perillo de indiciamento na CPI do Cachoeira , e têm como estratégia desqualificar o relatório apresentado por Cunha e provar que o relator cumpriu ordens do Palácio do Planalto para direcionar as investigações para Goiás.

Os parlamentares do PSDB devem questionar também o envolvimento do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e até lembrar a participação de Odair Cunha na CPI do Mensalão, que funcionou na Câmara.

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Além dos tucanos, um grupo de independentes, formado pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pedro Taques (PDT-MT), Pedro Simon (PMDB-RS), e os deputados Onyx Lorenzzoni (DEM-RS), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Rubens Bueno (PPS-PR), pretende entregar à Procuradoria-Geral da República uma representação na qual também pedem a inclusão do nome do governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), poupado no relatório de Odair Cunha, entre os indiciados.

Randolfe e Cunha se reuniram ontem para tentar aparar as arestas , mas, para o grupo dos independentes, a inclusão do nome de Gurgel no relatório final foi o fator principal para que o texto não recebesse o apoio destes deputados e senadores. A decisão do relator, na opinião do grupo, “tem as digitais” da cúpula do PT, insatisfeita com a posição de Gurgel no julgamento do mensalão .

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