Leitura do relatório final da CPI do Cachoeira é adiada novamente

Apresentação muda de data a pedido do próprio relator, que disse manter diálogo com lideranças partidárias e, por isso, precisa de mais tempo antes de ler seu documento

iG São Paulo |

O relatório final da CPI do Cachoeira teve sua leitura novamente adiada nesta quinta-feira após um pedido do relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), que disse manter um diálogo com as lideranças partidárias e, por isso, precisa de mais tempo antes de ler seu documento.

O relatório , com mais de 5 mil páginas e que acusa 46 pessoas de ter ligação direta com o esquema ilegal de Cachoeira, foi apresentado na quarta-feira (21) e, depois da pressão de membros da CPI mista , sua leitura foi adiada para esta quinta. Agora, a leitura está marcada para a próxima quarta-feira (28).

Veja o especial do iG sobre a CPI do Cachoeira

Agência Senado
Relatório do petista Odair Cunha tem mais de 5 mil páginas


"Quero pedir para ler o relatório na próxima semana. Quero ultimar esforços necessários para o diálogo possível ( com os demais líderes ). Solicito então o adiamento da leitura", disse Cunha no início dos trabalhos da comissão.

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O adiamento dividiu os membros da CPI. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) disse que o apoiava. "Ele tem o direito de fazer esse pedido", afirmou. Porém, ele criticou as partes do relatório que apontam desvios do procurador-geral da República, Roberto Gurgel , pedindo inclusive que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) o investigue por suposta omissão na Operação Vegas, da Polícia Federal.

Leia mais: Tucanos se articulam para livrar Perillo de indiciamento na CPI do Cachoeira

Leia a íntegra do relatório de Odair Cunha

Já o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) criticou o novo adiamento. Segundo ele, o relator deveria ler seu relatório e a comissão decidir se acata ou não. "Fui subrelator de várias CPIs e nunca houve um momento em que o relator apresentasse seu relatório e depois, por insegurança, adiar a leitura. Que não tivesse apresentado", disse o tucano.

Cunha estaria se sentindo muito pressionado para mudar partes do relatório, inclusive pela cúpula do seu partido. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que o relator poderá fazer modificações no relatório apresentado na quarta.

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Ontem, o relatório de Cunha foi alvo de críticas dos parlamentares, que pediram a prorrogação dos trabalhos da comissão, bem como a reconvocação de Cachoeira, uma vez que ele foi solto na madrugada de ontem do presídio da Papuda, em Brasília . O contraventor estava preso há nove meses. 

A oposição ao relatório dividiu-se em duas frentes: os tucanos, que se articulam para livrar Perillo de indiciamento na CPI do Cachoeira , e têm como estratégia desqualificar o relatório apresentado por Cunha e provar que o relator cumpriu ordens do Palácio do Planalto para direcionar as investigações para Goiás.

Os parlamentares do PSDB devem questionar também o envolvimento do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) e até lembrar a participação de Odair Cunha na CPI do Mensalão, que funcionou na Câmara.

Além dos tucanos, um grupo de independentes, formado pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pedro Taques (PDT-MT), Pedro Simon (PMDB-RS), e os deputados Onyx Lorenzzoni (DEM-RS), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Rubens Bueno (PPS-PR), pretende entregar à Procuradoria-Geral da República uma representação na qual também pedem a inclusão do nome do governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), poupado no relatório de Odair Cunha, entre os indiciados.

Randolfe e Cunha se reuniram ontem para tentar aparar as arestas , mas, para o grupo dos independentes, a inclusão do nome de Gurgel no relatório final foi o fator principal para que o texto não recebesse o apoio destes deputados e senadores. A decisão do relator, na opinião do grupo, “tem as digitais” da cúpula do PT, insatisfeita com a posição de Gurgel no julgamento do mensalão .

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