Relator da CPI do Cachoeira pede investigação sobre Gurgel

Segundo relatório, procurador-geral suspendeu operação 'sem justificativa'; deputado pede indiciamento de 46 pessoas, entre elas o governador Perillo e o jornalista Policarpo Júnior

iG São Paulo | - Atualizada às

O relator da CPI do Cachoeira , deputado Odair Cunha (PT-MG), pediu, no relatório final da comissão, a investigação do procurador-geral da República Roberto Gurgel, por não ter dado prosseguimento às investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal. A leitura do relatório, prevista para esta quarta-feira, foi adiada para amanhã às 10h15.

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"Chegada a fase final desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, apuraram-se forte indícios de desvios de responsabilidade constitucional, legal e funcional, praticados pelo Dr. Roberto Gurgel", afirma o deputado, no relatório de 5,1 mil páginas.

Veja o relatório da CPI do Cachoeira na íntegra

Alan Sampaio / iG Brasília
Segundo relatório, Roberto Gurgel suspendeu 'sem justificativa' as investigações da Operação Vegas


Odair Cunha alega que Gurgel suspendeu "sem justificativa" as investigações da Vegas, que apontou os primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, entre eles o senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO). Durante os trabalhos da comissão, o procurador-geral da República informou à CPI que decidiu parar as investigações da Vegas para encontrar elementos mais fortes da atuação de Cachoeira.

Segundo Gurgel, isso só ocorreu quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira em 29 de fevereiro. Desde o início da CPI, o chefe do Ministério Público Federal tornou-se alvo do ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) .

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O deputado também sugere o indiciamento de 46 pessoas, dentre elas o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); o ex-presidente da Delta Construções, Fernando Cavendish; o deputado federal Carlos Leréia (PSDB-GO) e o prefeito de Palmas, Paulo Filho (PT). Cunha também pede o indiciamento do chefe da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e outros quatro jornalistas - a maioria de Goiás.

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No texto, o relator da CPI sugere o indiciamento de Perillo por seis crimes, entre eles corrupção passiva e formação de quadrilha. Para Cunha, o esquema criminoso comandado por Cachoeira estava incrustado no governo do tucano. Oito pessoas ligadas a Perillo, entre secretários, ex-secretários e assessores, tiveram o seu indiciamento pedido. É o caso do ex-presidente do Departamento de Trânsito de Goiás Edivaldo Cardoso e de seu irmão, Antônio Pires Perillo.

Segundo o relatório, Toninho Perillo, como é conhecido o irmão do governador, foi indiciado pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, tráfico de influência e fraude em licitações por ter trabalhado "intensamente" para beneficiar o grupo criminoso.

Segundo o relator, o jornalista Policarpo Júnior foi um dois "profissionais que mantiveram constantes interlocuções com o chefe da Organização Criminosa Carlos Cachoeira. (Os jornalistas indiciados) atuam na imprensa e publicam o que interessa a eles, usando Cachoeira como fonte, mas também publicando, por vezes, o que interessa à organização criminosa, sendo usados pela quadrilha". As conversas entre o jornalista e o contraventor levaram a várias reportagens publicadas na revista semanal.

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A partir das investigações, o relator também sugere a apresentação de oito projetos de lei, que trazem entre seus temas a criminalização dos jogos de azar, a tipificação de organizações criminosas. a alteração da atuação do Conselho Nacional do Ministério Público, entre outras.

O relatório de Cunha livrou o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Havia a suspeita de que o governo de Brasília havia favorecido a empreiteira Delta, ligada a Cachoeira, em um milionário contrato para a coleta de lixo na capital do país. Contudo, Odair Cunha não encontrou elementos para implicar Agnelo com o esquema. Outro governador que não figurou no texto final é o do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

Odair Cunha destacou no relatório que Cachoeira mantinha empresas-fantasmas que receberam R$ 98 milhões da Delta. A comissão, contudo, não conseguiu rastrear o destino da maior parte desse dinheiro - uma das suspeitas era para pagar propina a políticos. "A Delta serviu a interesses da organização criminosa", afirmou. Ele pediu o indiciamento por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha de Fernando Cavendish, dono da empreiteira, e a investigação de todos os diretores da construtora.

Com Agência Câmara. Agência Senado e Agência Estado

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