CPI do Cachoeira divulga relatório hoje sob protestos da oposição

Parlamentares preparam representação para continuidade das investigações na Procuradoria Geral da República; relatório final pedirá indiciamento de Marconi Perillo

iG São Paulo | - Atualizada às

O relatório final da CPI do Cachoeira será divulgado na manhã desta quarta-feira (21), mas a oposição já prepara representação para a continuidade das investigações na Procuradoria Geral da República (PGR).

Em seu blog, o relator da comissão parlamentar mista de inquérito, o deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que o documento será "contundente". Entre os 46 indiciados pelo relator, estão o governador Marconi Perillo (PSDB) e o jornalista da revista Veja  Policarpo Júnior. O relator também pede investigações sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel , por ter suspendido "sem justificativas" a Operação Vegas, iniciada pela Polícia Federal em 2009.

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Agência Câmara
Relator Odair Cunha (PT-MG) vai ler o relatório final da CPI do Cachoeira


Ontem, Cunha travou conversas com lideranças dos partidos na Câmara e no Senado pedindo apoio para seu parecer. Ele quer evitar que o documento seja derrotado e que o plenário da CPI opte por aprovar alguma das duas propostas paralelas que deverão ser apresentadas.

Um dos textos será apresentado pelos tucanos. O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR), pedirá no documento o aprofundamento das investigações sobre a empresa Delta Construções e outras empresas que teriam recebido recursos do esquema de corrupção comandado pelo empresário Carlinhos Cachoeira.

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Outro texto deverá ser apresentado pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pedro Taques (PDT-MT) e pelo deputado Onys Lorenzzoni (DEM-RS). Além de pedir o indiciamento de Perillo, essa proposta pede um aprofundamento das investigações em relação aos governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), do Mato Grosso, Siqueira Campos (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).

No texto dos independentes também há pedidos de indiciamentos dos deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO), além do empresário Fernando Cavendish, dono da Delta. O texto enquadra Cavendish em pelo menos três crimes: fraude em licitação, corrupção ativa e formação de quadrilha.

Os parlamentares da oposição querem que a PGR conclua a investigação que, na opinião deles, foi sonegada pela "maioria governista da CPMI".

Lorenzoni disse que a representação à PGR vai cobrir as lacunas deixadas pelo relatório oficial de Cunha. "Nós temos a opinião de que será um relatório chapa branca, que vai apenas se direcionar contra o governador de Goiás e vai deixar de lado, por omissão ou ocultação, o esquema de corrupção que a (construtora) Delta vem aplicando em vários estados e no governo federal."

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Segundo ele, os oposicionistas vão, “de maneira prudente, aguardar a manifestação do relator e compará-la com a representação” que eles estão preparando. “Onde houver omissões, vamos mostrar o caminho das pedras para o procurador-geral da República iniciar as investigações".

AE
Cachoeira foi solto na madrugada de ontem após julgamento

Outra demanda apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues ao relator é o indiciamento da ex-mulher de Carlinhos Cachoeira, Andrea Aprígio, e de seu irmão, Adriano Aprígio. O relatório alternativo também aponta a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça como titular dos negócios do bicheiro após sua prisão.

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Por outro lado, o presidente da CPI, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), avalia que os 180 dias de trabalho e 48 de prorrogação permitiram aos parlamentares aprofundar as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, que apontam a existência de um Estado paralelo criado pelo jogo ilegal. "Eu entendo que essa CPI foi completamente diferente de todas as outras instaladas na República ao longo dos últimos anos", disse. "Veio quando muito já estava apurado, aprofundou as investigações."

Na madrugada de ontem, Cachoeira, que está preso desde o dia 29 de fevereiro , deixou o presídio da Papuda, em Brasília. Ele foi condenado nesta terça-feira a cinco anos de prisão mais multa, pelos crimes de formação de quadrilha, exploração de jogos e tráfico de influência.

A decisão, tomada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), é resultado das investigações da Operação Saint-Michel, que apurou irregularidades no sistema de transporte público. Como a pena imposta ao bicheiro é inferior a oito anos, o regime inicial da prisão deve ser semiaberto com 50 dias multa (cerca de R$ 3 mil). Da prisão, ele retornou para Goiânia.

Cachoeira foi preso como resultado da Operação Monte Carlo, que apurou corrupção e exploração ilegal de jogos na esfera federal. Desde então, o empresário ficou preso preventivamente no Distrito Federal e em Goiás. Vários pedidos de liberdade foram formulados nos dois processos, mas sempre esbarravam em decisões que alegavam o alto poder de influência de Cachoeira para mantê-lo preso.

Na Justiça Federal, a última decisão liminar do caso, do dia 15 de outubro , garantia a liberdade do empresário em relação à Operação Monte Carlo. No entanto, ele não pôde ser solto devido aos desdobramentos da Operação Saint-Michel.

*Com informações de Luciana Lima, iG Brasília, Agência Câmara, Agência Estado e Agência Brasil

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