Presidenta fala pela primeira vez sobre o julgamento em curso no STF e diz que, como presidente, não pode comentar decisões da Corte

A presidenta Dilma Rousseff comentou pela primeira vez o julgamento do mensalão e afirmou que acatará as sentenças impostas pelo Supremo Tribunal Federal aos réus envolvidos no esquema. Em entrevista publicada pelo jornal espanhol El País,  Dilma disse ainda que "nada neste mundo de Deus está acima dos erros e das paixões humanas".

O STF condenou políticos, operadores do esquema, agentes financeiros e a cúpula do PT à época, numa lista que inclui o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente do partido José Genoino. 

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Declaração marcou primeira manifestação da presidenta sobre o andamento do julgamento no STF
AE
Declaração marcou primeira manifestação da presidenta sobre o andamento do julgamento no STF

"Sou radicalmente a favor de combater a corrupção, não só por uma questão ética, senão por um critério político... Há diversos procedimentos jurídicos neste terreno e, como presidente da República, não posso me manifestar sobre as decisões do Supremo Tribunal Federal. Acato suas sentenças, não as discuto. O que não significa que nada neste mundo de Deus está acima dos erros e das paixões humanas", disse Dilma na entrevista.

Na entrevista, Dilma citou ações do governo do ex-presidente Lula no controle de gastos e transparência, como a Lei de Acesso à Informação e o Portal da Transparência. "Poucos governos fizeram tanto pelo controle do gasto público como o do presidente Lula... Um governo é 10.000 vezes mais eficiente quanto mais controla, mais fiscaliza e mais impede", disse ela.

A presidenta está na Espanha, onde participou da XXII Cúpula Ibero-Americana no fim de semana, quando voltou a criticar o excesso de austeridade como receita para os países em dificuldades financeiras se recuperarem. Ela reúne-se nesta segunda-feira com o presidente espanhol, Mariano Rajoy, e o rei Juan Carlos, em Madri, e embarca de volta ao Brasil no fim da tarde.

*Com Reuters

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