PMDB aceita Chalita em Ciência e Tecnologia, mas quer turbinar ministério

Partido negocia transferência de R$ 3,7 bilhões do Funttel e outros fundos que somam R$ 1,3 bilhão no orçamento do MCTi . Pasta iria à R$ 16,2 bilhões em 2013

Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTi) virou peça-chave na estratégia do PMDB de redefinir a relação com o governo Dilma Rousseff. Classificado inicialmente como pequeno para o partido, a legenda agora quer remodelar a pasta para mostrar que segue parceiro com peso para manter a aliança política na disputa presidencial de 2014. E aí entra Gabriel Chalita. O candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo, que no segundo turno apoiou Fernando Haddad (PT-SP), é dado como certo no comando do MCTi por lideranças pemedebistas ouvidas pelo iG .

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Poder Online:  Ciúme de Chalita no PMDB

A legenda do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) negocia, agora, uma turbinada no MCTi. O partido pretende atrair para a pasta o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), administrado pelo Ministério das Comunicações.

O Funttel é abastecido com 0,5% da receita bruta das operadoras de telefonia, o que deve lhe render cerca de R$ 281,7 milhões em 2012. O fundo tem hoje R$ 3,663 bilhões em caixa, valor imensamente superior aos R$ 330,1 milhões de uma década atrás. Apesar do caixa robusto, em 2012, apenas R$ 100 milhões foram repassados para patrocínio de projetos de pesquisa e inovação pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) – órgão subordinado ao MCTi.

O PMDB quer os bilhões do Funttel para fortalecer o ministério sob o comando de Chalita, apontado como o homem certo para reestruturar a pasta e mostrar à Dilma que a legenda tem capacidade técnica para seguir ocupando espaço de destaque. A legenda teme perder em importância para o PSD, de Gilberto Kassab, cuja chegada à Esplanada dos Ministérios está sendo discutida diretamente com Dilma .

Ministério do Futuro: R$ 16,2 bi

O PMDB também negocia puxar para o MCTi outros 16 fundos de investimentos em ciência e tecnologia (C&T) dispersos em diversos ministérios. Eles somam R$ 1,314 bilhão em orçamento neste ano e empenharam R$ R$ 600,9 milhões até setembro, conforme último levantamento do MCTi. O volume utilizado representa 45,7% do total disponível.

A menina dos olhos desse conjunto é o C&T Petro. Este fundo, em 2012, conta com quase R$ 1,2 bilhão repassado pela União. Apesar do tamanho, o fundo empenhou apenas R$ 27,655 milhões até setembro. O governo federal transmite para ele parte da receita do governo federal oriunda dos royalties petrolíferos, cuja previsão de crescimento é alta com a exploração do pré-sal. O Petro é maior que Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), único diretamente comandado pelo MCTi, que neste ano recebe R$ 933 milhões.

O ministério tem R$ 8,485 bilhões de orçamento autorizado para 2012, sendo que R$ 1,48 bilhão foi contingenciado no início do ano, e empenhou até outubro R$ 5,775 bilhões – conforme dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siaf) do governo federal.

A pasta negocia um orçamento de R$ 10,2 bilhões para 2013. Caso consiga os recursos, mais a verba dos fundos, Chalita pode ter de R$ 16,2 bilhões em seu primeiro ano à frente do MCTi. Não à toa, a pasta está sendo tratada como ‘Ministério do Futuro’ por pemedebistas.

Novos cargos

O desempenho de Chalita na corrida eleitoral de São Paulo é bem vista dentro do PMDB. Mas o candidato derrotado não é unanimidade no partido. Há deputados e senadores enciumados, achando que ele chegou ao ‘topo’ da legenda sem cumprir o ritual de distribuir afagos.

A expectativa é de que com o partido brigando nos bastidores para encorpar o MCTi, Chalita distribua cargos para compensar a ausência de abraços.

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