CPI do Cachoeira enviará provas e sigilos quebrados ao Ministério Público

Além do relatório, a comissão deverá mandar para o Ministério Público uma lista de empresas a serem investigadas; CPI termina em 22 de dezembro

Luciana Lima - iG Brasília |

Depois de prorrogarem os trabalhos da CPI do Cachoeira por 48 dias, deputados e senadores decidiram enviar ao Ministério Público Federal, além do relatório com as denúncias, todas as provas recolhidas e não analisadas na comissão. Nesse rol estão sigilos quebrados de pessoas físicas e jurídicas, além de uma lista de 29 empresas que teriam servido ao esquema de corrupção e lavagem de dinheiro comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Essas empresas teriam recebido de forma direta ou indireta, dinheiro da construtora Delta, apontada como integrante do esquema de Cachoeira. “Há sigilos que foram quebrados que não foram analisados e há sigilos para serem abertos. Nós vamos mandar tudo, não só o relatório com os indícios de crime, mas também todas as provas reunidas”, informou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), membro da comissão.

Leia mais: Esquema de Cachoeira movimentou R$ 84 bilhões em dez anos, informa CPI

De acordo com o deputado, a decisão foi tomada em uma reunião com o relator da comissão, Odair Cunha (PT-MG), e com o presidente dos trabalhos, Vital do Rêgo (PMDB-PB). Além de remeter as provas para o Ministério Público, a CPI deverá indicar ainda um grupo de parlamentares para acompanhar as investigações. “Muitas vezes, temos a quebra de sigilo e não temos as condições de investigar tudo e fazer os desdobramentos dessas investigações”, disse.

“Eu acho que o desdobramento desse trabalho da CPI que será feito pelo Ministério Público em conjunto com a Polícia Federal vai identificar valores e escândalos muito maiores do que os que foram investigados até agora”, considerou o deputado.

Hoje, a prorrogação do prazo da CPI passou a valer, oficialmente, com a leitura da decisão em plenário, feita pelo senador Aníbal Diniz (PT-AC). A CPI, que terminaria no dia 4 de novembro, tem como prazo final o dia 22 de dezembro. O prazo valerá para que o relator apresente seu parecer. Odair Cunha disse que apresentará seu relatório final no dia 20 de novembro para tentar aprová-lo até o final dos trabalhos.

Leia também:  Prorrogação da CPI pode render ‘relatório mais aperfeiçoado’, diz relator

O senador Pedro Taques (PDT-MT) disse que não participou da reunião na qual se definiu o envio das provas colhidas ao Ministério Público. A prorrogação da CPI não agradou a ele e a um grupo de senadores e deputados que havia pedido mais seis meses de prazo. Taques chegou a classificar a decisão como forma de enterrar a investigação. “Essa prorrogação significa jogar o lixo para debaixo do tapete”, disse o senador.

Na próxima semana, Taques, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e os deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Rubens Bueno (PPS-PR) pretendem enviar ao Ministério Público um pedido de quebra de sigilo e de investigação das 29 empresas suspeitas de fazerem parte do esquema. “Vamos procurar mais apoio para esse requerimento. Essa investigação terá que ser feita pelo Ministério Público porque, infelizmente, essa CPI acabou em pizza”, disse Taques.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG