'Não me acho nenhum exemplo de beleza', diz prefeito eleito em Pelotas

Aos 27 anos, Eduardo Leite vai governar cidade gaúcha e diz que sua aparência física não foi essencial para sua eleição: 'No mínimo, não atrapalhou'

Bruna Carvalho - iG São Paulo |

Aos 27 anos, Eduardo Leite foi eleito prefeito de Pelotas, única cidade gaúcha que teve segundo turno nestas eleições, com 57,15% dos votos, vencendo o candidato do PT, Fernando Marroni. Filiado ao PSDB desde os 16 anos, o bacharel em Direito fez sucesso em blogs pela internet, aparecendo em listas que escolhiam os candidatos mais bonitos desta eleição.  Apesar disso, ele tenta escapar do estereótipo de ser somente "mais um sorriso bonito".

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Na vida pública desde os 19 anos, quando concorreu à Câmara Municipal pela primeira vez, Leite costuma dizer que "bateu alguns recordes". Isso porque após a derrota na primeira eleição, tornou-se o mais jovem da história da cidade a ocupar os cargos de secretário da Cidadania e chefe de gabinete na Secretaria Municipal. Com a cassação do vereador Claudio Insaurriaga (PV), conhecido como Cururu, em 2008, conseguiu uma vaga na Câmara, tornando-se também o mais jovem vereador. Após sua reeleição, chegou à presidência da Câmara em 2011. Novamente, o mais jovem.

Reprodução/Facebook
Eduardo Leite foi eleito prefeito em Pelotas com 57,15% dos votos


"Não sei dizer se ( minha aparência física ) ajudou ( na eleição ). No mínimo, não atrapalhou. Eu acho que mais importante é a capacidade de se comunicar. Acho que esse contato com o eleitor foi mais importante ( para minha eleição ) do que a aparência física", disse o prefeito eleito ao iG . "Não me acho nenhum exemplo de beleza. Talvez pela política ter tantas figuras não bonitas, quando surge um mais ou menos, acaba se destacando."

Modesto ao falar de sua aparência, Leite diz acreditar que beleza não deveria ser importante na política. Nem para levantar um candidato, nem para rebaixá-lo. O prefeito, que frequenta academia e procura correr todos os dias, por, no mínimo, 30 minutos, disse que seu sorriso chegou a ser  usado por seus adversários em uma tentativa de desqualificá-lo.

"Não acho certo que exista preconceito ( por conta da beleza de um candidato ). Tinham adversários que falavam: 'Ah, ele é só um sorriso bonito'. Nunca apelei para isso para tentar sensibilizar o eleitorado", contou. "Foi criado até um blog que tentou me criticar por conta do meu sorriso. E eu digo: muito obrigado àqueles que, tentando me desqualificar, acabam me elogiando".

Fã dos cantores Dona Ivone Lara e Zeca Pagodinho, os intensos quatro meses de campanha fizeram Eduardo Leite realizar com menos frequência uma das atividades que mais aprecia: tocar samba com a família. Tanto que, depois do pleito, o prefeito eleito trocou sua foto de perfil no Twitter. "Passada a eleição, peço licença para colocar como foto do perfil uma foto do que fiz para comemorar: tocando pandeiro!", escreveu na rede de microblogs.

"Meu pai toca música desde pequeno, foi professor de violão. Nós temos esse gosto pela música e acabamos tendo uma banda de pagode", contou Leite, acrescentando que o grupo é informal, e se reúne nas festas familiares. "Toco junto com meus irmãos e meus primos. Eu toco pandeiro, ou qualquer outro instrumento que sobre: rebolo, tantã. Até ataco no vocal."

Filho da professora Rosa Eliana de Figueiredo e do advogado Luís Marasco, Eduardo foi criado em um ambiente político. Seu pai, um dos fundadores do PSDB na cidade de Pelotas, chegou a ser candidato nos anos 1980, mas não foi eleito. Apesar de não fazer mais parte do PSDB, Marasco foi um participante ativo da campanha do caçula com função de coordenador jurídico. Eduardo diz que a família o apoiou em sua candidatura, mas ficou tensa com sua entrada na vida política. "( Meus pais ) nunca me negaram apoio, mas ficaram temerosos por alguns julgamentos injustos que podem ser feitos por conta da frustração das pessoas com a política. Minha mãe, especialmente, sempre ficou muito tensa."

Solteiro, Eduardo Leite atribui às inserções diárias na propaganda eleitoral na televisão o motivo pelo assédio "bastante forte" que sofria nas ruas. "Por causa da exposição, quando a gente sai na rua, fica mais difícil caminhar uma quadra sem ser abordado para tirar uma fotografia. Mas é muito legal receber o carinho das pessoas." Na sua campanha, as principais bandeiras foram a saúde e a geração de emprego e renda na cidade.

Favorável ao casamento gay, Leite acredita que essa é uma "questão afetiva que deve ser respeitada". "É um fato estabelecido na sociedade. Os casais constituem patrimônio conjuntamente. É importante que o direito reconheça."

Quanto à legalização da maconha, o prefeito eleito cita o ex-presidente FHC, que defende o fim da criminalização da posse da droga para consumo pessoal. "Como disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o modelo adotado atualmente, da criminalização, colocou a maconha como uma situação de polícia. E ( esse modelo ) tem dado problemas", afirmou.

Já em relação à descriminalização do aborto, Leite é mais reticente. "Acho que devemos discutir a questão em relação a este assunto. Mas eu tenho muito receio que a descriminalização do aborto gere a irresponsabilidade das pessoas na geração de um novo ser humano."

Leite contou com apoio de caciques do PSDB, como o senador Alvaro Dias e o cotado para a Presidência na disputa de 2014, Aécio Neves . O senador mineiro foi duas vezes a Pelotas, uma vez no primeiro turno, e outra no segundo.

O prefeito eleito considera que o apoio de Aécio foi fundamental para a busca de recursos em Brasília e para convencer a executiva nacional do partido que seu nome poderia ter algum sucesso na cidade gaúcha. "Não tivemos nenhum tipo de resistência (por parte da executiva nacional). Mas imagina, há cinco, seis meses, quando fui conversar com o presidente (do PSDB) Sérgio Guerra, ele olhar um rapaz de 27 anos, que tinha em torno de 10% nas pesquisas... sempre causa algum tipo de reticência", disse.

Leite acredita que faz parte dessa tentativa do PSDB em renovar seus quadros. O tema da renovação foi um dos mais abordados pelas lideranças do partido , especialmente após a derrota de José Serra em São Paulo . Como mentor, o prefeito eleito de Pelotas tem o ex-governador de São Paulo Mario Covas, morto em 2001. "Acho que o Brasil perdeu a oportunidade de ter um grande presidente ali, muito pela posição firme dele."

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