Contrariando Planalto, PSB assume candidatura à presidência da Câmara

Em campanha, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) recebeu nesta semana aval do partido contra o acordo firmado entre PMDB e PT, que tem a concordância de Dilma

Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

Em mais uma postura contrária aos interesses do governo federal, o PSB decidiu lutar de forma explícita pela presidência da Câmara, contrariando o acordo entre PT e PMDB, que tem a concordância da presidenta Dilma Rousseff. Esse acordo, firmado em 2010 durante a campanha em Minas Gerais, prevê o comando da Câmara e do Senado para o PMDB no próximo ano.

Nesta quarta-feira (31), o líder do partido na Câmara, Givaldo Carimbão (AL), com aval do presidente da legenda, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, deu início a conversas com líderes partidários pedindo apoio para a candidatura do deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

“Já conversei com líder do PTB, Jovair Arantes (GO) e com o líder do PSD, Guilherme Campos (SP). Tenho muitas outras conversas para fazer hoje”, informou o líder, que prepara para a próxima terça-feira, um jantar em sua casa para apresentar a proposta a outros deputados.

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Agência Câmara
Delgado (PSB-MG) quer brigar pelo comando da Câmara em 2013

A candidatura de Júlio Delgado serve para esquentar o clima na Câmara, onde as duas maiores bancadas, com dissidências veladas, estão unidas em torno do nome do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). A candidatura também tem o caráter de tencionar a relação do PSB com o Planalto e com o PT.

Essa relação já vem abalada após os embates nas eleições municipais e os ensaios de voos solo do governador Eduardo Campos, que esteve em vários palanques municipais junto com os tucanos e contra o PT. Durante a campanha de segundo turno, o PSB evitou tirar uma posição sobre a candidatura na Câmara para não azedar de vez a relação com Dilma.

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As divergências na base são consideradas naturais durante as eleições municipais. No entanto, as movimentações de Dilma na última semana de campanha do segundo turno foram entendidas no PSB como tentativas de dar um “susto” nas lideranças do partido que, fortalecidas, têm adotado um discurso de maior independência do governo. “Foram tentativas de minar o nosso projeto. Mas não funcionaram”, disse o deputado. “Já desembarquei em Brasília em campanha”, disse Júlio Delgado.

Outro fator que serviu para azedar ainda mais a relação foi a presença da presidenta na campanha do PCdoB de Manaus. Já existia no Planalto a avaliação de que a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) não venceria o tucano Artur Virgílio, que tinha o apoio do PSB. Grazziotin foi a única candidata de siglas aliadas ao governo a contar com a presença de Dilma no palanque.

A aproximação de Campos e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) também sinaliza para uma posição mais independente. Aécio, apesar de estar no Senado, exerce grande influência na bancada tucana na Câmara e encorajou a campanha do PSB.

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