Sem acordo, futuro da CPI do Cachoeira é incerto

Relator pede 48 dias para ler relatório, mas oposição quer 180 dias para quebrar sigilo fiscal de empresas laranjas do bicheiro e da construtora Delta

Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

Os líderes dos partidos que têm membros na CPI do Cachoeira não chegaram a uma decisão sobre a prorrogação da comissão que investiga o esquema de corrupção chefiado pelo bicheiro e que envolve políticos e a construtora Delta. De um lado, a base governista defende 48 dias. De outro, a oposição tenta prolongar as investigações por mais 180 dias. Amanhã, haverá uma nova reunião para que os membros da CPI cheguem a um consenso.

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Alan Sampaio / iG Brasília
Vital do Rêgo comanda reunião para definir prorrogação da CPI do Cachoeira; ainda não há consenso

O relator Odair Cunha (PT-MG) indicou que as lideranças da base aliada irão buscar as assinaturas necessárias para prorrogar a CPI por apenas 48 dias para ler o relatório que, segundo ele, “está bom e contundente”. A leitura seria feita até o início do recesso parlamentar, previsto para 20 de dezembro. “Eu não recuso o tempo, mas o relatório está pronto e queremos algum tempo para fazer o debate”, afirmou. “Trabalho apenas por uma prorrogação que permita a leitura do relatório”, concluiu Cunha. A extensão da CPI, seja para 48 ou 180 dias, depende da coleta de 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

O relator indica que o documento final deverá trazer novas revelações sobre o núcleo de comando do esquema Cachoeira. Segundo ele, há “uma quebra de sigilo muito contundente”.

O presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou após a reunião de hoje que os partidos da base farão um esforço até sexta-feira para chegar a uma definição sobre a prorrogação da comissão. “Tentamos que o colegiado de líderes decidisse. Não deu certo e vamos para a coleta de assinaturas”. O senador rebateu as críticas da oposição de que, sob a orientação do governo, estaria freando a quebra de sigilo de novas empresas envolvidas no esquema. “O foco já foi buscado e trabalhado. Avançamos mais que o Ministério Público e a Polícia Federal na investigação”, afirmou o presidente da CPI.

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Após duas horas de reunião, a oposição saiu acusando o governo de querer “produzir um acordo com partidos da base para encobrir a investigação”, como declarou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) classificou a posição da base governista como um “risco de fim melancólico”. Segundo ele, a base governista deve apresentar amanhã no plenário da CPI uma proposta para a votação.

Lorenzoni, por sua vez, afirmou que a CPI tem documentos que comprovam a movimentação ilícita de mais de R$ 420 milhões oriundos do suposto esquema de lavagem de dinheiro entre o bicheiro Cachoeira e a construtora Delta. “Através da CPI não saberemos aonde foi parar esse dinheiro público”. A maior tensão agora entre governo e oposição, além da prorrogação dos trabalhos, é quebra de sigilo dos contratos da construtora para além do Centro-Oeste. “O prazo pode ser qualquer um desde que se quebre o sigilo das empresas que receberam dinheiro da Delta”, afirmou o deputado.

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