Montagem do governo em São Paulo e composição da base aliada desafiam PT

Com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo, partido começa a articular reformas na prefeitura e maior apoio na Câmara

Brasil Econômico - Rafael Abrantes e Marcelo Ribeiro |

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Depois das negociações de apoio na campanha eleitoral, o PT começa a articular agora os nomes e partidos que deverão ter mais ou menos espaço na administração do prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad.

O comando das 27 secretarias municipais estão em jogo e sob a avaliação de Haddad neste início da transição com a gestão de Gilberto Kassab (PSD), mas também sob os interesses de correligionários e aliados. O novo prefeito já declarou a intenção de enxugar o secretariado e rever a situação de algumas pastas, além de criar a Secretaria da Mulher. “Quem vai definir prioridades entre os partidos aliados é o Fernando Haddad”, afirmou o presidente nacional do PT, Rui Falcão, durante balanço do desempenho do partido no 2º turno, ontem, na sede do Diretório Nacional em São Paulo.

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As decisões do prefeito petista sobre áreas e nomeações também serão compartilhadas com a comissão de coordenação de transição, liderada pelo vereador Antonio Donato (PT), presidente do PT municipal. “Sempre receberei sugestões, desde cientistas a lideranças comunitárias, mas quem dará a apreciação final serei eu. Seremos muito criteriosos de quem contribuirá em nossa gestão”, afirmou Haddad, em sua primeira coletiva após eleito. Segundo ele, as mudanças nas secretarias serão discutidas a partir da semana que vem. Hoje, Haddad terá duas reuniões com Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e Kassab.

Para Falcão, o perfil técnico defendido publicamente por Haddad aos novos secretários não deverá conduzir as conversas com aliados. “A gente faz política o tempo todo. Não há possibilidade de qualquer secretário não ter também um viés político. Pode ter uma especialidade numa área ou outra, o que é exigível, mas todos eles terão seu posicionamento político e capacidade de articulação”, ressaltou.

“Vamos mudar todas as secretarias, inclusive a Secretaria Especial de Articulação da Copa do Mundo (Secopa)”, afirmou ao Brasil Econômico a vice-prefeita Nádia Campeão (PCdoB). A pasta está nas mãos do partido comunista na atual administração. A legenda, no entanto, espera emplacar um nome do alto escalão para a secretaria de Esportes ou para o comando da SPTuris, devido à possibilidade de extinção do organograma da Secopa (leia mais na página 3). A respeito da garantia de cargos ao PCdoB no Executivo municipal, Nádia pondera que “não há nenhuma indicação automática” para o cargo de secretários.

Além da sigla comunista, a peemedebista Marianne Pinotti, vice na chapa de Gabriel Chalita (PMDB), pode ser cortejada para assumir a secretaria da Saúde. Já o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) espera expandir seus domínios na área da habitação, desde a CDHU, no governo estadual, até a Cohab, na gestão municipal. Entre os quadros petistas, os vereadores Arselino e Jair Tatto mostram interesse sobre a secretaria de Transportes. A nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, também deve usar sua credencial de ex-prefeita para levantar nomes da sua confiança.

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Outra tarefa para Haddad será buscar consenso entre bancadas para ampliar sua base de apoio na Câmara Municipal. O PSD, de Kassab e com sete parlamentares, deve ser a legenda mais assediada pelo PT, com 11 vereadores. “Nossos vereadores não têm nenhum problema com Haddad”, afirmou o vereador Antonio Goulart (PSD), aliado de José Serra (PSDB) até “domingo às 17 horas”.

Segundo ele, se ainda existe indefinição sobre o apoio ao PT no Legislativo municipal, no plano federal, o PSD “estará ao lado da presidente Dilma Rousseff” a partir de 2013. Colaborou Pedro Venceslau

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