Presidente da CPI do Cachoeira indicará mais 45 dias para investigação

Senador Vital do Rêgo proporá apenas compensação da paralisação pelas eleições; PT, PMDB e PSDB acertam que relator apresente parecer no prazo para evitar CPI em 2013

Nivaldo Souza - iG Brasília |

O presidente da CPI do Cachoeira , Vital do Rêgo (PMDB-PB), irá indicar nesta terça-feira (30) a continuidade da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o esquema de corrupção por mais 45 dias a partir de 4 de novembro, quando termina o prazo oficial.

A indicação será feita amanhã aos líderes partidários. Rêgo já chegou à conclusão de que é justo compensar os dias de paralisação da CPI durante as eleições municipais e nada mais que isso.

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Agência Senado
Presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), quer apenas compensar a paralisação por conta das eleições


Os partidos devem aceitar a recomendação para evitar uma sangria de imagem no próximo ano. A decisão já teria sido acordada com PT, PMDB e PSDB – os pesos-pesados do Congresso - com fôlego para reunir as 171 assinaturas de deputados e as 27 de senadores necessárias para validar o acordo.

A extensão sugerida por Rêgo terá fim no início do recesso parlamentar, marcado para 15 de dezembro. Com isso, no retorno do Senado e da Câmara, em fevereiro de 2013, as máculas do efeito Cachoeira seriam águas passadas, na avaliação política dos líderes.

Estratégia para derrubar 180 dias

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) segue tentando reunir as assinaturas necessárias para esticar por mais 180 dias a apuração do esquema de Cachoeira, cuja movimentação ilícita teria alcançado R$ 84 bilhões em uma década.

Rodrigues já obteve 35 adesões no Senado. O levantamento na Câmara está nas mãos do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que já conseguiu 80 assinaturas.

Apesar do esforço da oposição para aprofundar a investigação na CPI, o PT e o PMDB já estariam acertados com o PSDB para que o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), apresente o parecer final sobre o esquema Cachoeira ao final dos 45 dias que serão propostos por Rêgo.

A estratégia será indicar a aprovação do relatório pelo plenário da CPI, no qual os três partidos são majoritários. Com isso, a CPI seria automaticamente encerrada e o avanço das investigações ficariam a cargo do Ministério Público Federal, com base na apuração da Polícia Federal.

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Pesa na decisão do PT, PMDB e PSDB o medo de ver novos quadros envolvidos no esquema fora da região Centro-Oeste, onde a CPI se concentra. Aos tucanos interessa evitar que o escândalo avance sobre São Paulo, Estado governado pela legenda há 16 anos.

Já o PMDB quer evitar arranhar a imagem do partido no Rio de Janeiro, cujo governador, Sérgio Cabral, mantém relações de amizade com o dono da Construtora Delta, Fernando Cavendish, apontado como pivô de um esquema de fraude em licitações de obras públicas.

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