Para especialistas, resultado das urnas mostra que o mensalão não afetou eleição

Julgamento no Supremo coincidiu com a campanha mas não conseguiu se sobrepor à realidade local na corrida municipal

Wilson Lima - iG São Paulo | - Atualizada às

O julgamento do mensalão teve efeito quase nulo nas eleições de 2012, conforme cientistas políticos ouvidos pelo iG . Antes do julgamento, imaginava-se que a coincidência das condenações com o processo eleitoral poderia ter reflexo direto nas urnas. 

Especial: Leia a cobertura completa do iG sobre o julgamento do mensalão

Em São Paulo, o candidato José Serra (PSDB) tentou associar a imagem de Fernando Haddad (PT) ao escândalo. Mas Haddad acabou eleito. No primeiro turno, o prefeito eleito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), enfrentou ataques de seus adversários por ter ajudado nas investigações em um primeiro momento e, agora, ter migrado para a base aliada do governo federal. Em outras cidades, partidos da base governista também sofreram com ataques ligando o julgamento que transcorre no Supremo Tribunal Federal (STF) com as eleições municipais.

AE
Para especialistas, condenações como a de Dirceu não conseguiram se sobrepor à realidade local na corrida municipal

Os especialistas afirmam que o julgamento do mensalão não teve um reflexo tão grande quanto se esperava por um motivo simples: nas eleições municipais, o eleitor volta-se às micro demandas, como saneamento básico, asfaltamento, transporte público e moradia. Um cenário completamente distinto das eleições presidenciais, quando são discutidos aspectos mais complexos como macroeconomia e ética partidária.

O jornalista, consultor político e professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Gaudêncio Torquarto, afirmou que o mensalão, na prática, apenas ratificou discursos pró-PSDB contra o PT. “O eleitor sabe que esse problema ( compra de apoio político ) ocorre com todos os partidos”, disse. “O Serra queria jogar com o mensalão, mas não colou. Ao contrário, o Haddad ganhou nas fragas tradicionais e avançou em zonas onde tucanos sempre ganharam”, disse Torquato.

O cientista político Paulo Fábio Dantas, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), disse que existiu um efeito apenas ético do julgamento do mensalão, mas esse efeito é mínimo perto da realidade das eleições municipais. “Em algumas cidades, o mensalão não influiu em nada; em outras, influenciou mais. Depende do contexto de cada cidade”, disse Dantas.

A análise de mérito do mensalão foi concluída entre o primeiro e o segundo turno com a condenação da cúpula do PT n - composta pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente da sigla José Genoíno - pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, além da condenação pelos crimes de corrupção passiva contra deputados do PT, PR (ex-PL), PMDB e PTB.

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