Eleição dá cara nova ao PT, que agora tentará compensar desgaste do mensalão

Líderes do partido enxergam na eleição de nomes como Fernando Haddad oportunidade de resgatar imagem ética abalada com a condenação de líderes como Dirceu e Genoino

Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

Dirigentes petistas ouvidos pelo iG avaliam que a ascensão eleitoral de nomes novos como o do prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad , pode ajudar o PT revitalizar a imagem ética do partido abalada pela condenação de lideranças históricas como José Dirceu e José Genoino pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no mensalão.

Um dirigente petista usou uma metáfora tecnológica para exemplificar o significado para o PT da renovação nos quadros partidários: “Haddad é o PT 2.0”.

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Ao longo de 33 anos de história do PT surgiram várias novas lideranças. A principal diferença na eleição deste ano é que a renovação vem acompanhada da saída de cena dos condenados pelo mensalão.

Divulgação
Para petistas, Haddad surge como maior expoente da renovação do partido

“O PT sai com uma cara muito nova que vai ajudar a desarmar os ânimos, porque hoje existe um debate tentando nos criminalizar. O Haddad é a maior expressão dessa cara nova”, disse o deputado Paulo Teixeira. “Ele ( Haddad ) mostra uma face muito interessante do partido que nós precisamos cuidar para que seja bem sucedida”, completou.

Petistas citam uma peça recorrente do discurso eleitoral de Haddad para demonstrar o poder que a vitória em São Paulo tem para revitalizar a imagem ética do partido. Em vários discursos Haddad disse que entra na prefeitura com a camisa limpa e vai sair com a camisa igualmente limpa.

Além de Haddad, outros dois nomes se enquadram na imagem do PT 2.0. Márcio Pochmann, candidato derrotado è prefeitura de Campinas, e Elmano de Freitas, também derrotado em Fortaleza.

Os três têm em comum os fatos de disputarem a primeira eleição, saírem de baixos índices de intenção de voto, chegarem ao segundo turno, terem boa formação acadêmica e principalmente nenhuma mancha no currículo.

AE
Partido agora se esforça para resgatar imagem ética após condenação de líderes como Dirceu

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Para cardeais petistas, as novidades devem ocupar o vácuo político provocado pelas condenações no julgamento do mensalão. “São novas lideranças com biografia impoluta, refratários às acusações de corrupção, e que podem voltar a empunhar a bandeira da ética”, afirmou um dirigente.

Renovação

Em um partido marcado por acirradas disputas internas e pela consolidação de grupos ligados a caciques, os petistas ressaltam a interferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como fator fundamental para forçar a renovação.

“Felizmente o partido é capaz de se renovar mas é preciso reconhecer que o presidente Lula estimulou várias candidaturas como as de Fernando Haddad em São Paulo e Márcio Pochmann em Campinas”, disse o senador Eduardo Suplicy.

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O assessor especial da presidência e ex-presidente do PT Marco Aurélio Garcia lembrou que a renovação é uma vantagem do partido em relação aos adversários. “Esta eleição mostra que o PT se renovou e que os outros não estão se renovando”, disse.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que a renovação é uma característica do PT mas admitiu que, nas eleições deste ano, o fenômeno teve mais intensidade. Falcão, no entanto, evitou vincular a ascensão de novos nomes ao julgamento do mensalão. “A eleição de Haddad e o bom desempenho de Pochmann têm mais influência neste processo do que as decisões do Supremo”, disse Falcão.

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