Braço direito de Haddad, Luís Massonetto é tido como nome certo no novo governo

Professor de Direito se transformou em homem de confiança do prefeito eleito de São Paulo e é descrito por petistas como 'o Gilberto Carvalho do Haddad'

Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

Terminada a eleição para prefeito de São Paulo, os partidos que apoiaram o eleito Fernando Haddad (PT) começam, como é de praxe, a apresentar nomes para os principais cargos da administração. Segundo pessoas próximas de Haddad, qualquer aposta por enquanto é mera especulação, mas um nome é dado como presença certa no secretariado do petista, o do professor de Direito Luís Fernando Massonetto.

“É o Gilberto Carvalho do Haddad”, disse um dirigente petista, em referência ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência de Dilma Rousseff e chefe de gabinete e homem de confiança nos oito anos de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva .

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Haddad e Massonetto se aproximaram em 2002, quando trabalharam juntos na Secretaria Municipal de Finanças durante a gestão da petista Marta Suplicy . Haddad era chefe de gabinete e Massonetto chefe da assessoria de Planejamento.

No ano seguinte, Massoneto foi nomeado chefe de gabinete da Secretaria de Negócios Jurídicos, chegou a comandar a secretaria interinamente, e Haddad foi para o Ministério da Educação (MEC), cujo titular era Tarso Genro.

Divulgação
De perfil discreto, Luís Massonetto, à direita, aparece em apenas duas das mais de mil fotos da campanha

Em 2006, Haddad, já ministro, levou Massonetto para o MEC e o transformou em seu braço direito. No ministério, ele ocupou os cargos de chefe de gabinete de Haddad, secretário de Ensino à Distância e secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior. Entre 2009 e 2011, acumulou o cargo com o posto de gerente institucional da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Homem de confiança

No início deste ano, quando deixou o MEC para iniciar a campanha pela Prefeitura de São Paulo, Haddad foi aconselhado por Lula e Dilma a colocar uma pessoa de sua confiança pessoal na equipe de coordenação de campanha para evitar o controle excessivo dos dirigentes petistas. O escolhido foi Massonetto.

Nos dez meses seguintes ele se consolidou como homem de confiança de Haddad. Na condição extra oficial de chefe de gabinete do candidato, Massonetto foi os olhos, ouvidos e às vezes a voz de Haddad nos setores mais importantes e delicados da campanha. Fez a interlocução como PT e o publicitário João Santana, inspecionou pessoalmente a confecção de material de campanha, coordenou setores do programa de governo, fez contatos e ajudou a mobilizar setores do meio acadêmico e jurídico em torno do candidato.

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“Ele era uma espécie de extensão do Haddad. Quando o candidato não podia participar, mandava o Massonetto como representante”, disse um petista.

Aos poucos ganhou também a admiração e confiança dos dirigentes do PT e aliados, que sempre se referem a ele com elogios. Dois traços de sua personalidade destacados pelos petistas são o temperamento afável e discrição extrema. Embora tenha sido um dos mais atuantes nomes na eleição, ele aparece em apenas duas das mais de mil imagens do álbum de fotos da campanha.

Currículo em comum

Filiado ao PT, Massonetto tem várias características em comum com Haddad como ter cursado a faculdade de direito da USP, no Largo São Francisco, integrado a direção do Centro Acadêmico 11 de Agosto, ter forte formação acadêmica (é doutor pela USP) e ser professor universitário, na própria São Francisco, onde integra o quadro do Departamento de Direito Econômico-Financeiro.

Segundo petistas, ele tem preparo para assumir praticamente qualquer área da administração mas seu nome é mais citado para a Secretaria de Negócios Jurídicos e a chefia de gabinete de Haddad.

“Na campanha ele demonstrou ter competência para fazer qualquer coisa, foi uma espécie de faz tudo do Haddad”, disse um dirigente petista. “Mas está longe de ser um mero carregador de malas. Massonetto é um quadro político de primeira linha e extremamente bem preparado”, disse um dos coordenadores da campanha.

Luís Fernando Massonetto foi procurado três vezes pelo iG para falar de sua possível participação no governo Haddad. Alegou falta de tempo, prometeu entrar em contato posteriormente mas, fiel à fama de assessor discreto, não telefonou.

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