Ayres Britto pode sair do STF sem deixar penas do mensalão por escrito

A previsão agora é que o julgamento se prolongue para depois da aposentadoria do presidente do STF, em 14 de novembro; quem assume é Joaquim Barbosa

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A conclusão do julgamento do mensalão , no Supremo Tribunal Federal (STF), deverá ocorrer depois da aposentadoria do presidente da Corte, Carlos Ayres Britto. Ele sairá do STF no dia 14 de novembro e ainda tem dúvida se deixará as sugestões de penas por escrito. O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, assumirá seu lugar. Mas Ayres Britto tem se mostrado desconfortável com a hipótese de não participar dos debates finais do julgamento.

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Nelson Jr./SCO/STF
Ayres Britto se aposenta em 14 de novembro

A fixação das penas está provocando polêmica desde último dia 23. Os ministros não conseguem chegar a um critério objetivo para as punições, o que deixa o julgamento imprevisível. Essa situação é o principal empecilho para que Ayres Britto deixe o voto por escrito.

Os ministros não se entendem, por exemplo, sobre os critérios de aumento de pena para os crimes cometidos - entre eles a continuidade delitiva, quando um crime dá origem a outros da mesma espécie. Enquanto uma corrente defende a majoração no limite máximo permitido por lei - dois terços da pena original - nos casos em que houve dezenas de atos criminosos, outro grupo defende aumento de um terço para evitar que a pena seja muito alta.

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Nessas situações, o decano da Corte, ministro Celso de Mello, sempre interfere lembrando que o STF precisa ter penas mais previsíveis, inclusive para servir de parâmetro aos juízes de primeira instância. Os ministros, no entanto, não têm chegado a consenso até agora.

Um exemplo das limitações das penas fixadas com antecedência é o caso do ex-ministro Cezar Peluso. Ele se aposentou logo no início do julgamento do mensalão, deixando por escrito somente parte das condenações. Seu voto frequentemente é esquecido pelos colegas por não se encaixar em nenhuma corrente majoritária, e o voto acaba isolado, sem possibilidade de ser alterado. É esse tipo de situação que Ayres Britto quer evitar.

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