Após vitória, ACM Neto adota discurso conciliatório

Prefeito eleito conversou por telefone com o vice-presidente Michel Temer e pretende procurar o governador Jaques Wagner e a presidente Dilma Rousseff

João Paulo Gondim - iG Bahia |

Sob os gritos de "ACM voltou ô", o prefeito eleito de Salvador, ACM Neto (DEM), foi saudado pelos milhares de correligionários que, na noite deste domingo (28), lotaram o diretório central do demista. Neste segundo turno, com 53,51% dos votos válidos (717.865 votos), ele superou o petista Nelso Pelegrino, que obteve 46,49% (623.734 votos). Em seu primeiro discurso após a vitória, ele afirmou que vai tentar manter boa relação com a presidenta Dilma Rousseff e com o governador do Estado Jaques Wagner, ambos do PT.

"Procurarei manter uma relação extremamente harmônica os governos federal e estadual. Quero construir uma relação de trabalho e parceria construtiva. Hoje mantive contato telefônico com o vice-presidente Michel Temer (PMDB). Ele vai ser o embaixador, o porta-voz e advogado dos interesses da Bahia junto ao governo federal", afirmou ACM Neto.

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Divulgação/Facebook
ACM Neto (DEM) foi eleito o mais jovem prefeito de Salvador com 53.51% dos votos válidos


Ele acrescentou que, por intermédio de Geddel Vieira Lima, uma das principais lideranças do PMDB no Estado, vai se encontrar ainda esta semana com Temer. 

De acordo com o prefeito eleito, Wagner também vai ser procurado por ele para tocarem projetos importantes para a capital baiana. "A disputa vai até o veredicto das urnas. Depois, temos que ter humildade, dar as mãos e somar forças para o bem de nossa cidade", afirmou o demista.

DEM: ACM Neto é eleito prefeito de Salvador

No segundo turno, ACM Neto recebeu o apoio da seção baiana no Estado. No entanto, o candidato da legenda no primeiro turno, Mário Kertész, saiu do PMDB e foi apoiar o candidato do PT.

A veemência do prefeito eleito de garantir que vai trabalhar em parceria com as esferas de poder estadual e federal serve como resposta ao principal argumento utilizado na campanha de Pelegrino, a importância do alinhamento da prefeitura com os governo do Estado e a presidência da República. O candidato petista usou a expressão "time de Lula" para mudar Salvador. Já para ACM Neto, se o prefeito apresentar bons propostas para a cidade, recursos estaduais e federais estarão garantidos para o município.

Querendo demonstrar que sua relação com o PT vai ser civilizada, ACM Neto mencionou o nome de seu adversário no discurso e pediu que os militantes do DEM não vaiassem a citação do nome do petista.

"Quero cumprimentar o deputado Nélson Pelegrino que vai dar continuidade a seu mandato e ajudar Salvador. Temos que reconhecer o trabalho que ele teve. Na política é assim: tem dia que a gente ganha e tem dia que a gente perde. E hoje foi 25 ( número de seu partido )", declarou ele, que acrescentou que vai ser um gestor e que não dá para resolver "da noite para o dia" os problemas da cidade. "Mas prometo liderança, ser gestor e vou arrumar a casa", concluiu.

Sobre o fato de administrar uma cidade onde a disputa eleitoral foi bastante polarizada, respondeu. "Eu serei prefeito de todos e vou priorizar os que mais precisam".

Ele dedicou à vitória a seu avô, o ex-senador e governador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007). "Eu não poderia esquecer alguém que não está aqui entre a gente. E eu sei que, onde quer que ele esteja, está tão feliz quanto cada um de nós. Eu aprendi com ele a amar a Bahia, lutar pelo nosso povo e dedicar a vida à política", afirmou o neto.

Para vencer a eleição, ACM Neto teve que superar a estrutura de seu adversário, que incluiu o apoio de quase 20 partidos no segundo turno, de três candidatos derrotados no primeiro turno, de dois senadores baianos, do governador do Estado, de Dilma - que veio à cidade uma vez - e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silve, que subiu no palanque petista duas vezes.

Perguntado se a sua vitória representa uma "surra eleitoral" em cima de Lula - uma alusão a uma declaração sua, em 2005, de que seria capaz de bater no então presidente -, ACM Neto respondeu, em tom sério: "não".

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