PSDB vira o jogo no segundo turno e afasta PSOL da Prefeitura de Belém

Na frente durante grande parte da disputa, com a candidatura de Edmilson Rodrigues, partido de esquerda apostava na capital para levar sua primeira prefeitura

iG São Paulo |

Após as três semanas de campanha neste segundo turno, Belém chega às urnas neste domingo com um cenário inverso ao resultado do primeiro turno da capital: o candidato do PSOL, Edmilson Rodrigues, perdeu a vantagem que teve durante toda a primeira etapa da disputa e agora é o segundo colocado. De acordo com a última pesquisa Ibope divulgada na capital paraense, o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB) lidera a disputa com 57% dos votos válidos, contra 43% de Edmilson Rodrigues (PSOL). No primeiro turno, Edmilson teve 32,58% dos votos válidos e Zenaldo, 30,67%.

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Em agosto, Rodrigues, que foi prefeito de Belém entre 1997 e 2004, ainda quando era filiado ao PT, chegou a 31 pontos de vantagem em relação ao segundo colocado, o deputado federal José Priante (PMDB), conforme apontou a pesquisa Ibope na época. 

No segundo turno, o PSOL enfrentou críticas de militantes do próprio partido e perdeu aliados como o PSTU, partido com o qual estava coligado durante a primeira etapa, após aceitar o apoio do PT. Na última semana da campanha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou depoimento em apoio a Rodrigues para o programa eleitoral do candidato.

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Em Belém, o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB) lidera a disputa com 48% das intenções de voto

Na propaganda, Lula ressalta que a eleição do PSOL pode garantir uma “boa relação” entre Belém e o governo federal. “A boa relação entre os municípios e o governo federal é muito importante. Por isso, queria pedir ao povo de Belém que votou em mim para presidente, que agora vote em Edmilson Rodrigues para prefeito”, afirmou Lula.

Veiculada no último domingo (21), a inserção com Lula causou mal-estar entre aliados mais à esquerda do PSOL. Na segunda-feira, o diretório municipal do PSTU divulgou uma carta anunciando a saída da coligação, alegando que o partido “sucumbiu de vez à lógica do vale tudo” após receber o apoio do PT. “A reivindicação do apoio de Dilma e Lula por parte de Edmilson Rodrigues em sua campanha significa o abandono do perfil de uma candidatura de esquerda e socialista”, diz a carta.

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Na terça-feira (23), a campanha também veiculou o depoimento com o apoio da presidenta Dilma Rousseff à candidatura de Rodrigues. No segundo turno, a relação com o governo federal passou a ser um dos principais pontos destacados pela propaganda eleitoral do PSOL. Também na terça, o senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) viajou até Belém para declar apoio a Edmilson. Apesar do apoiar o PSOL no Pará, o PDT enfrenta o PSOL no segundo turno de Macapá.

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Ex-prefeito de Belém em duas gestões, Edmilson Rodrigues (PSOL) tem 36% das intenções de voto

Do lado tucano, Zenaldo recebeu no segundo turno apoio tanto de partidos da oposição do governo federal, como o PPS e o PV, quanto de aliados, como o PSB, o PP e o PRB. O governador do Para, Simão Jatene (PSDB) foi uma das principais alavancas de Zenaldo durante toda a campanha, aparecendo regularmente nas propagandas veiculadas no rádio e na televisão e participando de eventos de campanha com o deputado federal. De acordo com o Ibope, Jatene tem uma boa aprovação na cidade, com uma gestão avaliada como ótima ou boa por 46% do eleitorado belenense.

Na última quinta-feira (25), o senador Aécio Neves (PSDB) também desembarcou na capital paraense para apoiar Zenaldo. Aécio é considerado um dos principais nomes tucanos para a disputa pela Presidência em 2014. No segundo turno, o senador viajou por diversas cidades brasileiras para fortalecer sua imagem e apoiar candidatos e aliados do PSDB.

A reta final da campanha em Belém foi marcada por ataques de ambos os lados. A campanha tucana concentrou seus esforços na crítica da aliança entre PSOL e PT, classificando o apoio como “oportunista”. No debate realizado pela TV Bandeirantes na última terça-feira (23), Zenaldo tentou colar a imagem Edmilson aos ex-líderes do PT José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão. Na propaganda tucana, Jatene também ironizou a aliança socialista. “Ela ( a união entre Jatene e Zenaldo ) não é apenas eleitoral ou de circunstância. Dois só se ajudam quando os dois querem”, disse o governador paraense.

No lado do PSOL, Edmilson usou o chamado mensalão mineiro e a CPI do Cachoeira, que envolvem nomes tucanos como o do ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, e do governador de Goiás, Marconi Perillo, para criticar Zenaldo. Obras inacabadas do governo do Estado e da gestão do atual prefeito Duciomar Costa (PTB), aliado dos tucanos, como a macrodrenagem do rio Tucunduba, e a falta de investimentos na área de saneamento de abastecimento de água através da Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA) também foram foco de críticas.

A campanha de Edmilson chegou a veicular um vídeo no qual critica o “custo-benefício” de Zenaldo, por ter supostamente proposto apenas duas leis na Câmara dos Deputados, apesar de receber um salário de R$ 456 mil por ano como deputado federal.

Resultados

Fundado há sete anos por dissidentes do PT, o PSOL conquistou no último dia 7 seu primeiro assento no Executivo, em Itaocara, no Rio de Janeiro, onde Gelsimar Gonzaga venceu a disputa pela Prefeitura com 44,26% dos votos válidos.

Além de Belém, o PSDB, principal partido de oposição do governo federal, disputa no segundo turno o comando de outras 15 prefeituras – seis capitais e nove municípios. Para os tucanos, estão em jogo Vitória, São Luis, Teresina, João Pessoa, Manaus, São Paulo e Rio Branco. O partido já elegeu 692 prefeitos no primeiro turno, ou 12,55% do total de municípios brasileiros.

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