Mais jovem prefeito de Salvador, ACM Neto dá novo fôlego ao carlismo

Candidato do DEM foi o único membro da terceira geração do clã Magalhães a se interessar em disputar eleições; ele também preenche o vazio deixado pela morte do tio Luís Eduardo

João Paulo Gondim - iG Bahia |

Aos 33 anos, o soteropolitano Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto (DEM) , ou ACM Neto, é o prefeito mais jovem da história de sua cidade natal. Seu avô, o ex-senador e ex-governador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) tinha 40 quando chegou ao mesmo cargo. Representante da terceira geração do clã político mais importante da Bahia, os Magalhães, ele preenche a lacuna deixada pelo seu tio e filho de ACM Luís Eduardo, morto aos 43 anos de um ataque cardíaco fulminante em 1998. Luís Eduardo, à época, estava sendo preparado para governar a Bahia e depois emplacar uma candidatura à Presidência da República.

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ACM Neto


Passado o baque, ACM tirou da cartola o nome do então governador interino César Borges - que, em 2012, subiu no palanque de Nélson Pelegrino - para disputar e vencer no primeiro turno o pleito daquele ano.

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Lançar nomes de última hora por conta da morte do candidato natural não era novidade para o patriarca dos Magalhães. Em 1982, então governador, ele viu Clériston Andrade, seu candidato a sua sucessão e grande amigo, morrer em um acidente de helicóptero a menos de dois meses e meio das eleições para governador.

Rapidamente, tirou uma carta da manga: o discreto João Durval Carneiro, que fora seu secretário de Saneamento e Recursos Hídricos. Com a força do carlismo a seu favor, João Durval chegou onde nunca chegaria sozinho: o governo do Estado.

Automaticamente, com o seu novo status, ele ganhou musculatura política, o que fez com que, em 1988, seu filho João Henrique - hoje prefeito da capital baiana - conseguisse uma vaga na Câmara dos Vereadores de Salvador. De certo modo, ACM Neto e João Henrique tiveram ACM, direta ou indiretamente, na origem de suas carreiras políticas.

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A morte de Luís Eduardo Magalhães turbinou a trajetória de ACM Neto. Além do tio, só ele mostrava tino político entre os herdeiros do ex-senador. Antônio Carlos Magalhães Júnior, que algumas vezes ocupou a vaga do pai no Senado, prefere cuidar dos negócios da família, além de lecionar na Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Os primos de ACM Neto nunca se interessaram em se envolver com o mundo do avô. Uma delas, Carolina, é atriz.

O prefeito eleito de Salvador sempre quis seguir os passos do ex-senador. Ainda secundarista, fundou o grêmio estudantil da escola em que estudava. Mais tarde, presidiu o PFL Jovem. Sem Luís Eduardo para ofuscá-lo politicamente, tornou-se o único sucessor do carlismo - corrente política liderada por seu avô e que durante décadas comandou a Bahia.

Para ganhar experiência e conhecer as engrenagens da máquina estatal, ganhou um cargo na secretaria estadual de Educação. Foi assessor da pasta de 1999 a 2002.

Graças a essa ocupação, conseguiu aquele que seria o seu argumento, que sempre utilizou na campanha, quando confrontado com o fato de que o seu partido ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra as contas.

Ele retrucava ao afirmar que, em 2002, ou seja, quando ainda trabalhava na secretaria, a primeira instituição a adotar o sistema de cotas raciais para seu ingresso foi a Universidade do Estado da Bahia (Uneb). No entanto, professores da universidade afirmaram que o demista e o governo do Estado vigente não contribuíram para a implantação das cotas. A iniciativa, sustentam, foi exclusivamente no âmbito da Uneb, usufruindo da autonomia universitária.

Também em 2002, foi eleito deputado federal pela primeira vez, sendo o mais votado da Bahia. Na sua primeira legislatura, em meio à crise do mensalão, afirmou na tribuna da Câmara dos Deputados ser capaz de surrar o então presidente Lula. A imagem do destempero foi exaustivamente utilizada pelo PT. Ainda durante a campanha deste ano, o demista reconheceu o erro de ter feito a ameaça. Entre outras coisas, justificou o seu ato falando que sua família fora ameaçada naquela época, sem entrar em detalhes sobre qual tipo de ameaça seus parentes sofreram.

Em 2006 e 2010, novas vitórias na corrida para a Câmara. Em 2008, disputou, e sequer foi ao segundo turno, nas eleição para prefeito de Salvador. Declarou apoio a João Henrique, o que acarretou outra série de críticas de seus adversários em 2012, entre eles o adversário Nelson Pelegrino (PT), que exibiu dezenas de vezes o vídeo no qual ACM Neto aparece dizendo "eu digo sim a João".

De acordo com o demista ele vai completar o mandato e governar Salvador por quatro anos, sem concorrer ao governo do Estado em 2014.

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