Em Campo Grande, Justiça Eleitoral investiga compra de votos 'fiado'

O oferecimento da vantagem, segundo TRE-MS, configura crime que pode render quatro anos de prisão

Luciana Lima - iG Brasília |

Em Campo Grande, a Justiça Eleitoral vai investigar denúncias de um crime inusitado: a compra de voto “fiado”. De acordo com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul, o juiz Flávio Peron, o tribunal está trabalhando em conjunto com a Polícia Federal na investigação desse crime. Os valores prometidos variam entre R$ 50 e R$ 250.

Só na manhã deste domingo, o TRE-MS recebeu quatro denúncias do tipo. “É uma coisa inusitada o que está ocorrendo aqui. Existem pessoas que estão oferecendo vantagem em troca de votos, mas só pagarão depois do resultado, se o candidato vencer as eleições”, explicou o juiz.

Ibope: Em Campo Grande, Bernal tem 63% dos votos válidos, e Giroto, 37%

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Para investigar os crimes eleitorais um esquema especial foi montado em conjunto com a Polícia Federal. Quatro agentes da PF e funcionários do tribunal estão trabalhando no recebimento e na investigação do esquema.

Peron ressaltou que mesmo não havendo a prova material da compra que seria o dinheiro, ou outro bem utilizado na troca, o crime de compra de votos se configura. “É porque o simples oferecimento de vantagem já configura o crime. E é um crime pesado que pode render até quatro anos de prisão”, ressaltou o juiz, em entrevista o iG .

“Além disso, é importante ressaltar que o crime se aplica tanto para quem oferece, quanto para a pessoa que aceita”, explicou.

O esquema de compra de votos tem se mostrado atuante nas eleições de Campo Grande. De acordo com o juiz Fávio Peron, no primeiro turno foram realizadas buscas em comitês de vereadores, onde a polícia constatou que a moeda utilizada era combustível. “Encontramos muitos tíquetes de postos de combustíveis. Esse combustível também era usado para comprar voto”.

Especificamente sobre compra de voto ainda não há um levantamento do número de denúncias chegaram ao TRE-MS sobre o assunto. De acordo com o tribunal, no geral, 767 denúncias chegaram desde o dia 6 de agosto, quando o disque denúncia começou a funcionar. No segundo turno, a Justiça Eleitoral do Mato Grosso do Sul recebeu 125 denúncias.

A disputa no segundo turno está entre Alcides Bernal (PP) e Edson Giroto (PMDB). No primeiro turno, o progressista levou vantagem. Bernal obteve 40,18% dos votos válidos, enquanto Giroto ficou com 27,99%.

As últimas pesquisas apontam Bernal com uma vantagem ainda maior. De acordo com o Ibope, em pesquisa divulgada no sábado, Alcides Bernal, do PP, tem 63% dos votos válidos. Já Edson Giroto tem 37%. A margem de erro da pesquisa é de 4 pontos percentuais.

A capital sul-mato-grossense tem 561.630 votantes. Bernal obteve apoio de políticos tanto do PT, quanto do PSDB, como é o caso do senador Delcídio Amaral (PT) e do deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB). Já Edson Giroto tem o apoio do governador André Puccinelli (PMDB).

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