Indicado por Lula, Fernando Haddad (PT) abriu vantagem sobre o tucano José Serra na disputa pelo comando da maior cidade do País

Após 113 dias de campanha, 8,61 milhões de eleitores vão às urnas neste domingo (28) para escolher o próximo prefeito da cidade de São Paulo, a mais populosa do Brasil. O experiente  José Serra (PSDB) enfrenta o candidato do PT  Fernando Haddad , que com a campanha do segundo turno, assumiu a dianteira e agora desponta como favorito na disputa.

Segundo pesquisas divulgadas no sábado (27), Haddad aparece com uma vantagem sobre Serra de 16 pontos de acordo com o instituto Datafolha, e de 18 pontos, de acordo com o Ibope.

Há oito anos, o PT não vence uma eleição em São Paulo. A útlima prefeita petista da capital paulista, Marta Suplicy , não conseguiu se reeleger em 2004, quando enfrentou Serra no segundo turno. Após uma gestão que lhe rendeu uma imagem controversa, Marta não conseguiu levar o páreo com o tucano. Quatro anos depois, saiu novamente derrotada, desta vez pelo vice de seu antigo rival, Gilberto Kassab (PSD).

Veja o especial do iG sobre as eleições 2012

Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) no estúdio da TV Bandeirantes para o primeiro debate do 2ºturno de São Paulo
Futura Press
Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) no estúdio da TV Bandeirantes para o primeiro debate do 2ºturno de São Paulo


Indicado diretamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o cargo, Haddad foi ministro da Educação e tem como principais bandeiras o ProUni (Programa Universidade para Todos) e a nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Durante sua campanha nas ruas e na televisão, a maior estratégia do petista foi ligar o seu adversário ao prefeito Kassab - cuja gestão tem uma impopularidade histórica - e enfatizar que a administração atual não governa para os pobres, mas sim, apenas para os mais ricos. Haddad também explorou o fato de Serra ter deixado a prefeitura em 2006 para disputar o governo do Estado, depois de prometer que cumpriria o mandato até o fim. Por fim, acusou a gestão Serra-Kassab de não ter priorizado o diálogo com o governo federal, deixando de promover melhorias na cidade, como a construção de creches.

Já Serra, ex-governador de São Paulo e ex-prefeito da capital, protagonizou uma campanha mais agressiva , diante da piora de seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Vencedor do primeiro turno das eleições, com 30,75% dos votos, apresentou como principais propostas a ambliação da rede de centros de Referência de Assistência Social (Cras) e a transformação de 200 favelas em bairros, com água e esgoto.

Para atacar o rival, Serra procurou associar Haddad ao escândalo do mensalão, cujo julgamento está em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve ex-dirigentes e parlamentares do PT. Também acusou o governo Dilma de usar a máquina da União em favor do candidato em São Paulo, quando tornou a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ministra da Cultura , em troca da sua participação na campanha.

Subida no tom 

Um tema externo à capital paulista marcou o início de uma subida no tom da campanha no segundo turno: o kit anti-homofobia. Idealizado pelo Ministério da Educação (MEC) quando a pasta estava sob comando de Haddad, o projeto era composto por vídeos e textos que seriam distribuídos em 6 mil escolas como iniciativa de combate ao preconceito contra homossexuais. 

O assunto, que já havia aparecido na campanha presidencial de 2010, voltou à tona quando o pastor evangélico Silas Malafaia declarou apoio a Serra com uma série de vídeos distribuídos pela internet nos quais ataca Haddad pela confecção do material. Serra alegou que o material possuía "aspectos ridículos e impróprios" e configurava "doutrinação".

Em meio às críticas do tucano, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma reportagem revelando que o tucano distribuiu um material semelhante ao do MEC em 2009, quando era governador. O kit paulista, intitulado "Preconceito e discriminação no contexto escolar", foi entregue a professores da rede estadual de ensino. Em 2010, o centro do debate eleitoral no segundo turno entre Dilma e Serra foi em relação à descriminalização do aborto, que envolveu a busca do apoio religioso.

A partir daí, o tom da campanha ficou cada vez mais agressivo. Após trocarem alfinetadas por causa do kit anti-homofobia, Serra e Haddad passaram a confrontar propostas na área da saúde. E, na reta final da disputa, protaginizaram várias discussões em debates de televisão tendo como mote o escândalo do mensalão e a condenação de petistas no Supremo Tribunal Federal (STF). 

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