De olho nas eleições de 2014, grupo Sarney apoiou prefeito João Castelo (PSDB) contra Edivaldo Holanda Júnior (PTC), candidato de Flávio Dino

Após um segundo turno marcado por baixarias no programa eleitoral, distribuição de panfletos apócrifos e alianças consideradas escusas, a eleição em São Luís chega à sua reta final completamente indefinida: o líder das pesquisas, Edivaldo Holanda Júnior (PTC) e o atual prefeito João Castelo (PSDB) estão praticamente empatados segundo as últimas pesquisas de intenções de voto.

A primeira pesquisa Ibope de intenções de voto realizada entre os dias 16 e 18 de outubro indicava uma diferença de dez pontos percentuais entre os dois candidatos. Edivaldo Holanda Júnior estava com 49% das intenções de voto contra 39% de seu adversário e um universo de 5% de votos brancos, nulos e outros 7% de indecisos. Mas outros levantamentos de institutos de pesquisa locais feitos mais recentemente já apontam um empate técnico entre os dois candidatos.

Campanha de Edivaldo atribui ao clã Sarney divulgação de vídeo sobre suposta milícia
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Campanha de Edivaldo atribui ao clã Sarney divulgação de vídeo sobre suposta milícia

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Após perder o primeiro turno para o novato Holanda Júnior, apoiado pelo presidente da Embratur, Flávio Dino, o prefeito João Castelo fez uma aliança às escuras com a família Sarney para manter-se no poder. Oficialmente neutro na disputa pela prefeitura, o grupo Sarney vem participando da campanha castelista com reforço de deputados federais e vereadores sarneístas recém-eleitos.

A aliança entre os grupos de Castelo e Sarney no segundo turno foi vista com surpresa porque, durante todo o seu mandato, o tucano disse que sempre foi perseguido pelo grupo político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB) e da sua filha, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Hoje, Castelo já afirma que pretende realizar parcerias com o governo do Estado, algo descartado por ele efusivamente há três semanas.

Após a formalização dessa aliança, Castelo passou a ser elogiado por deputados da base roseanista na Assembleia Legislativa e vereadores do PMDB, eleitos com apoio do grupo, fazem campanha aberta pró-tucano.

Milícias

O grupo de Edivaldo Holanda Júnior também atribui ao grupo Sarney a divulgação de um vídeo de uma suposta milícia que se tornou a maior polêmica da campanha neste segundo turno. O vídeo mostra uma reunião entre policiais militares dando apoio à candidatura de Edivaldo Holanda Júnior.

Na versão apresentada no programa castelista, os policiais davam apoio e ameaçavam ações terroristas em São Luís caso o tucano vencesse as eleições; o grupo de Edvaldo Holanda diz que houve montagem para que o eleitor tivesse essa sensação de que o caso não passou de um encontro político inofensivo entre militares e Holanda Júnior.

O aparecimento do vídeo da suposta “milícia” está sendo comparado ao chamado caso “Reis Pacheco”, que marcou a disputa pelo governo do Estado de 1994. Na época, o presidente do Senado, José Sarney, acusou o adversário de sua filha, na época Epitácio Cafeteira, de ter mandado matar um funcionário da Companhia Vale do Rio Doce, Reis Pacheco. Depois comprovou-se que a acusação era falsa, mas Roseana Sarney conseguiu vencer aquela eleição.

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Se de um lado, Castelo é acusado pelo grupo de Holanda de ter criado um clima de terrorismo em São Luís. O tucano também acusa o adversário de ter distribuído panfletos apócrifos com ofensas pessoais a ele e à sua família. A campanha tucana também critica o grupo de Holanda Júnior de se associado ao candidato Ednaldo Neves (PRTB), no primeiro turno, o qual foi visto como “laranja”, utilizado apenas para fazer críticas ostensivas à administração tucana em São Luís.

Esse clima de disputa acirrada entre castelistas e holandistas, na prática, visa às eleições de 2014. O grupo Sarney sabe que, mesmo sem ter uma base forte em São Luís, perder a capital do Maranhão para um candidato do grupo de Dino pode ser decisivo para acabar com a hegemonia do grupo nas próximas eleições para o governo do Estado, já que aliados do presidente da Embratur também já comandam cidades importantes como Caxias.

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