Serra e Haddad trocam farpas e citam mensalão em último debate na TV

Em resposta ao tucano, petista respondeu com o mensalão mineiro; saúde foi um dos temas mais abordados no confronto: fim das OSs, falta de leitos e hospitais

iG São Paulo | - Atualizada às

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) participaram na noite desta sexta-feira do último debate antes do 2º turno das eleições municipais, que acontece neste domingo. Haddad usou um tom mais agressivo no primeiro bloco e apontou as falhas na administração do tucano na prefeitura de São Paulo e no governo do Estado. O petista também voltou a lembrar que Serra deixou a gestão da capital paulista nas mãos do atual prefeito  Gilberto Kassab . "Importante ter presente que Kassab foi eleito em 2008 ganhando da Marta (Suplicy) do PT por 61% dos votos e fez seu governo quando saí (...) é importante saber que o PT quis o apoio do Kassab, e muito", alfinetou o tucano.

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Já no início do segundo bloco, no qual os candidatos fizeram perguntas sobre temas sorteados, Serra foi para o ataque e citou o mensalão, cujo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) condenou "gente do PT". "Quando se fala em corrupção, a lembrancinha que se tem é o mensalão”, afirmou, citando o nome do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha no tribunal.

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Haddad respondeu lembrando o tucano do chamado mensalão mineiro, que envolve nomes do PSDB e do ex-governor do Estado de Minas Gerais, Eduardo Azeredo. "Mais do que eu, talvez você pudesse explicar o que vai ser julgado agora. Na sequência ( do julgamento do mensalão ) começa o julgamento do mensalão tucano", disse Haddad. O petista tentou descolar sua imagem dos dirigentes do PT condenados, afirmando que nunca militou nas instâncias partidárias e que "ninguém discute sua reputação". 

No contra-ataque, Serra afirmou que a única coisa "certa" em Minas Gerais foi a condenação pela Justiça Federal de José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares pelo crime de falsidade ideológica. O petista rebateu ainda afirmando que oito dos dez ministros do STF foram indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também citou Hussain Aref Saab, ex-diretor técnico do Departamento de Aprovação das Edificações (Aprov) da Secretaria Municipal de Habitação, que, segundo ele, foi indicado por Serra. "Hussein Aref angariou esse valor todo (mais de R$ 50 milhões) apenas em imóveis da cidade de São Paulo", disse. Aref deixou a prefeitura depois da acusação de que teria acumulado, desde 2005 , um patrimônio de mais de R$ 50 milhões e possui atualmente 118 imóveis.

Os dois também trocaram farpas ao discutirem transporte público e parcerias na gestão de saúde. Sobre transporte, Haddad disse que Serra se apropriou de última hora de uma ideia de Levy Fidélix (PRTB), candidato derrotado no primeiro turno. O tucano respondeu dizendo que tirou da cachola, não da cartola, como havia dito Haddad, a ideia de ampliar o tempo do Bilhete Único para seis horas e voltou a criticar o Bilhete Único mensal do petista. “Tirou da cachola do Levy Fidélix”, ironizou Haddad.

Sobre as OSs (organizações sociais) na área da saúde, Serra voltou a dizer que Haddad vai acabar com todas as parcerias com a iniciativa privada, como a Santa Marcelina e a Unfesp (Universide Federal de São Paulo). “São os parceiros que fazem 70% dos atendimentos no Estado e 40% das cirurgias(...) e o PT não quer tocar essas parceiras, quer acabar com elas. Será uma perda para a cidade porque o sistema de saúde correrá o risco de ficar mais desorganizado. O PT só governa para o PT”, disse o tucano. Assim como no debate anterior, disse que, para provar que o PT vai acabar com as OSs, Dirceu entrou com uma ação no STF contra as parcerias.

Haddad negou que vá acabar com as parcerias e disse que foi um dos idealizadores das PPPs (parcerias público-privadas). "Ao contrário do que o tucano, que apresenta a cada dia um plano de governo eu apresentei um só e não há uma linha sobre acabar com as parcerias", disse o petista. Em outros momentos, Serra voltou a citar o mensalão e disse que com o dinheiro desviado do esquema era possível construir 400 AMAs (Assistência Médica Ambulatorial).

A saúde foi o tema mais abordado durante o debate. Haddad e Serra não só falaram sobre as OSs, mas também fizeram perguntas sobre atendimento à mulher, leitos hospitalares, distribuição de medicamentos e construção de hospitais.

O debate da Rede Globo começou por volta das 23h e durou uma hora. O primeiro a chegar foi Haddad, acompanhado da mulher e dos dois filhos. Serra também chegou pouco depois das 22h acompanhado de alguns assessores.

Tom dos ataques na reta final

Às vésperas da eleição, os dois candidatos subiram o tom dos ataques e acusam um ao outro de produzir material apócrifo com agressões. A campanha de Haddad entrou com uma representação na Justiça eleitoral nesta sexta-feira contra Serra, na qual atribui à campanha tucana a responsabilidade pela criação de um site falso que ataca o petista . À Justiça, o provedor de internet informou que o site falso foi criado por uma empresa que presta serviços à campanha de Serra, que, em nota, nega responsabilidade pelo conteúdo.

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A campanha do candidato do PSDB, por sua vez, acusou a do petista de espalhar pela cidade "faixas agressivas" e apócrifas contra o tucano. "Quem quer ser prefeito de São Paulo não pode se apresentar como um delinquente que não respeita as leis municipais que conserva a cidade limpa", disse em nota o tucano. A coordenação da campanha atribui ao PT a distribuição de cartazes com uma foto de Serra carregando uma arma sob os dizeres: "Serra é cúmplice do extermínio da juventude negra e pobre" e "Serra é cúmplice da violência contra as mulheres".

Em resposta, o PT negou as afirmações e chama os ataques da campanha tucana de "atitude que comprova o incorrigível baixo nível" adotado pelo adversário.

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Outro tema que dominou os debates entre os dois candidatos na última semana de eleição foi o Bilhete Único . Serra lançou esta semana a proposta de ampliar os benefícios do transporte público na capital paulista e foi acusado pelo adversário de fazer uma “cópia malfeita” do seu Bilhete Único Mensal. Já Serra diz que o petista tem "inveja" de seu plano. O projeto do tucano - que não constava do seu plano de governo lançado dez dias atrás - prevê ampliar o Bilhete Único de três para seis horas de duração e aumentar o benefício do Bilhete Amigão, que valerá das 14h do sábado até a noite de domingo.

Nesta sexta-feira, também terminou o horário eleitoral gratuito após um mês e meio no ar. No segundo turno, a propaganda foi exibida de segunda a sábado duas vezes por dia. No domingo, 31,7 milhões de eleitores vão às urnas escolher novos prefeitos em 50 cidades, sendo 17 delas capitais de Estado.

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