Tucano explorou também discurso feito por Lula em Diadema, onde ressaltou o risco de votar em um candidato novo; Haddad diz que rival não se conforma com possibilidade da derrota

Agência Estado

Dois dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar parte da antiga cúpula do PT por formação de quadrilha no julgamento do mensalão - denúncia de compra de votos de parlamentares pelo governo durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, o programa de rádio do candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra , voltou a explorar o tema, dizendo que o eleitor tem de dizer, com seu voto, "de que lado está", em referência ao fato de seu adversário neste segundo turno ser um petista, Fernando Haddad .

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O petista, em seu programa, voltou a se defender das acusações da campanha de Serra de que, caso eleito, romperia as parcerias da prefeitura com as Organizações Sociais na saúde (OSs) - que administram hospitais e unidades de saúde públicos. Haddad disse que o objetivo de Serra, com as acusações, é "eleitoral". O programa de rádio foi transmitido entre 7h e 7h20.

A propaganda do candidato tucano mencionou as declarações do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo no STF, de que o "caso do mensalão é pior do que crime de sangue" , ao falar sobre a condenação do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares por corrupção e formação de quadrilha.

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"A maioria dos ministros do Supremo entendeu que Dirceu era o chefe da quadrilha e agia dentro do Palácio do Planalto. Agora é a hora da verdade. Domingo você vai votar e vai dizer, com seu voto, de que lado você está", afirmou um narrador.

O programa também explorou fala do ex-presidente Lula em evento de campanha realizado em Diadema, onde o candidato do PT representa a situação. Lula alertou para os riscos de se escolher um candidato "novo" , discurso oposto ao adotado em São Paulo, onde Lula faz campanha pela "novidade" Haddad.

"Parece piada, lá em Diadema ele defende a experiência, aqui em São Paulo ele fala do novo", disse um narrador. "Ele ( Lula ) também andou dizendo que o Serra era o político velho, ultrapassado, com ideias antigas. Quanto preconceito."

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Haddad, como vem fazendo em outros programas no rádio e na televisão, tomou a dianteira na hora de se defender das acusações da campanha de Serra de que irá romper as parcerias entre a prefeitura e as OSs na administração da saúde em São Paulo, caso eleito.

Para Haddad, Serra faz acusações porque "não se conforma com a possibilidade de perder essa eleição". "De forma quase obsessiva, o Serra se agarrou a essa história, essa fantasia de que vou acabar com os contratos das Organizações Sociais na Saúde. Em nenhum momento eu disse ou meu plano de governo traz que eu vou acabar com esses contratos", garantiu o petista.

Sobre as declarações que a campanha tucana veiculou na televisão e no rádio, em que Haddad e parlamentares do PT aparecem criticando as OSs, o programa petista afirmou que os vídeos foram editados. "Eles ( tucanos ) estão usando um vídeo de vereadores do PT ( falando mal das OSs ), mas a gente logo vê que o vídeo foi cortado. Eles só deixam uma parte para gerar um mal-entendido", disse o narrador.

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