Em campanha pelo candidato do PSB, Jonas Donizette, senador tucano critica Dilma por prometer privilégios na transferência de recursos a prefeitos apoiados pelo PT

Agência Estado

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta quarta-feira, em Campinas, interior de São Paulo, que a aliança PSB-PSDB é "natural", apesar de incomodar outros partidos, e atacou a presidente Dilma Rousseff e ministros petistas por adotarem um discurso "da ditadura" ao prometerem privilégios na transferência de recursos federais a prefeitos apoiados pelo PT.

"O que surpreende alguns é que em várias partes do Brasil, sem prejuízo da aliança nacional que o PSB tem hoje com a presidente Dilma, e eu respeito, é que há uma aliança muito natural do PSDB com o PSB, como aqui em Campinas e em Minas mesmo", afirmou Aécio, um dos nomes cotados para a disputa presidencial de 2014.

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Quatro dias depois de Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lotarem duas praças em um mega comício de apoio ao candidato do PT em Campinas, Márcio Pochmann, Aécio fez um comício improvisado na mesma praça em apoio ao Jonas Donizette, do PSB, que lidera a disputa com 45% das intenções de voto, contra 37% do adversário, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira. Jonas tem como vice o PSDB.

Segundo Aécio, os dois partidos "quase se confundem na história dos agentes políticos". "Essa afinidade é real, ela não é eleitoral, não é uma construção artificial. Por isso a naturalidade com que nossos companheiro aqui se juntem em torno de um projeto. Nós vamos continuar fazendo isso", declarou o senador que fará ainda nesta quarta-feira campanha em Manaus (AM), para o candidato Artur Virgílio (PSDB), que é apoiado pelo PSB, contra o PCdoB, que teve o apoio de Dilma na segunda-feira. "É uma reciprocidade."

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A visita de Aécio a Campinas foi tratada na sexta-feira (19) diretamente com o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos - outro nome cotado para as disputas presidenciais em 2014. O partido escalou o prefeito eleito de Recife no primeiro turno, Geraldo Júlio (PSB), que derrotou o PT local, para acompanhar Aécio em Campinas.

"Eu estava dizendo brincando na van que nas minhas andanças já por 23 dos 27 estados da federação que eu coloquei mais 40 no peito do que 45", brincou Aécio. Ele no entanto negou que PSDB e PSB estivessem se unindo, desde já, para anular a força da presidente Dilma e do ex-presidente Lula de olho em 2014.

"O que eu quis dizer é que existem alianças naturais entre o PSB e o PSDB no Brasil inteiro, por mais que isso incomode atores de outros partidos políticos. Mas não digo que isso vai nos levar a uma aliança daqui a pouco. A realidade local coloca o PT, o modus operandi, a forma de governar, em antagonismo com a do PSDB e do PSB."

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O senador mineiro afirmou que o PSB será bem vindo em uma futura construção de proposta de oposição para o atual governo. "Nós estamos tranquilos porque vamos construir um projeto de oposição. Se no caminho, forças que hoje estão com o governo se sentirem mais confortáveis em uma nova proposta para o Brasil, naturalmente serão muito bem vindos."

O PSB foi a partido que mais cresceu nessas eleições no País, dando musculatura política para os planos de Campos de disputar a presidência em 2014. Segundo Aécio, esse crescimento não é visto como "uma ameaça" e é até interesse do PSDB que o partido esteja forte.

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"Nós do PSDB estimulamos que os partidos políticos que tenham compromissos éticos, programáticos cresçam e se fortaleçam. Nós não vemos isso como uma ameaça. Se o PT apenas consegue conviver com partidos que apoiam seu projeto político, é uma visão absolutamente distorcida. Nós não, queremos o PSB forte, independente de uma aliança futura, porque é bom para a democracia."

Ditadura

Aécio voltou a criticar a postura da presidente Dilma e de ministros do governo federal, que segundo ele estariam prometendo benefícios na transferência de recursos da União para prefeitos do PT.

"Acredito que vocês tenham escutado o discurso da necessidade de um certo alinhamento. Olha, é preciso ser do partido da presidente da República para que a cidade tenha benefícios. Não há nada mais antigo, mais, velho e mais arcaico que esse pseudo discurso de alianças para governar", afirmou Aécio.

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"Esse discurso foi o discurso da ditadura, esse era o discurso do regime de exceção, que decidiu que durante 20 anos nós não devíamos votar para governador do Estado ou para prefeito de capitais porque eles deveriam ser do mesmo partido do presidente da República."

Para jornalistas, o senador afirmou que "esse é o discurso comum do PT" e fez refrências às condenações de membros do PT no julgamento do mensalão , pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Não podem aqueles que acham que são inquilinos do poder achar que são os donos do recurso público. Aliás, acharam no passado e felizmente a Justiça está dando uma resposta, que não é assim que se trata dinheiro público", disparou Aécio.

Questionado sobre as condenações, ele foi evasivo, mas afirmou que "aqueles que cometeram delitos comprovados devem ser exemplarmente punidos, independente de que partido habitam".

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