Com pasta para PSD, Planalto pode minar candidatura de PSB na Câmara

Com quarta bancada da Câmara, o apoio do PSD é decisivo para que PSB avance na disputa da Presidência da Câmara dos Deputados

Luciana Lima - iG Brasília |

A sinalização do Planalto de que o PSD deve ganhar um ministério de Dilma Rousseff atrapalha bastante as intenções do PSB de disputar com chances a Presidência da Câmara. Embora o assunto esteja sendo evitado pelas lideranças dos dois partidos nesse período eleitoral, na próxima semana, as conversas tendem a se tornar mais acirradas.

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O apoio do PSD, de acordo com seu líder Guilherme Campos (SP), ainda não está definido. “Não estamos nem para lá nem para cá. O cenário é fértil nesse momento para conversas e estamos conversando”, disse o líder que já manteve diálogos com o socialista Júlio Delgado (MG) e com líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que é apoiado pelo Planalto e pelo acordo firmado entre o PT e seu partido. Esse acordo garante ao PMDB o comando da Câmara e do Senado no próximo ano e não agrada ao PSB.

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Ao mesmo tempo em que se discute a sucessão, na próxima semana o PSB colocará na pauta de suas conversas as discussões sobre a pasta no governo de Dilma e a sucessão na liderança do partido nas duas casas. Os três assuntos serão tratados de forma conjunta e devem considerar o tamanho do partido que sairá das urnas. “Vai depender do resultado das eleições”, disse o líder.

O namoro do PSD com o Planalto não é recente. A relação já se ensaiava na própria criação da legenda, que se declarou independente e atraiu senadores, deputados, governadores que atuavam na oposição. O deputado Júlio Delgado, no entanto, tem contado que sua candidatura teria o apoio massivo dos 47 deputados do PSD.

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Como quarta bancada da Câmara, o apoio do PSD seria decisivo para que a candidatura de Delgado ganhasse musculatura capaz de fazer frente ao acordo das duas maiores bancadas da Câmara: a do PT e do PMDB que, somadas, têm 164 deputados.

Delgado também depende que seu próprio partido assuma a candidatura, tão logo acabe o segundo turno. Por enquanto, no PSB, a ordem é deixar Delgado construindo seu nome. O cuidado do presidente do partido, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos , de deixar o assunto da sucessão na Câmara para ser tratado somente após o segundo turno teve o objetivo de não melindrar a relação do partido com o Palácio do Planalto.

Há também uma preocupação para que a candidatura de Delgado não seja encarada como uma aposta de oposição, já que ele afirma ter apoio do PSDB do senador Aécio Neves e potencial para atrair o DEM e outros partidos contrários ao governo e ao acordo entre PT e PMDB. Descolar a imagem da oposição, no entanto, não será tarefa fácil, diante da aproximação, cada vez maior com o senador Aécio Neves, que se mostrou parceiro do PSB em palanques importantes como o de Campinas (SP) e Uberaba (MG).

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