PT atrai apoio de evangélicos para Haddad e fala em 'reação' a Silas Malafaia

Entidades se dizem 'perseguidas' pelos governos José Serra e Gilberto Kassab na aplicação da Lei do Psiu

Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

Um grupo líderes evangélicos divulgou nesta segunda-feira um manifesto em apoio à candidatura do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad . Descrito por petistas como uma "reação" ao endosso do pastor Silas Malafaia à candidatura do tucano José Serra , o documento reuniu representantes de 11 igrejas e nove entidades em um ato organizado no diretório municipal do PT, no centro da capital paulista. 

No documento, os religiosos se dizem alvo de "perseguições" comandadas pelos governos de Serra e do atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD). O motivo, diz o manifesto, é a forma como as duas administrações respondem a ocorrências de barulho nos locais de culto, com base em regras como a Lei do Psiu. 

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O evento em favor de Haddad reuniu inclusive apoiadores do candidato derrotado do PRB, Celso Russomanno . Um deles, o pastor Renato Galdino, da Assembleia de Deus de Santo Amaro, prometeu mobilizar 353 líderes evangélicos para fazer campanha em favor do petista nesta reta final da campanha. A orientação, segundo ele, é para que cada um fale para pelo menos 100 pessoas para pedir voto para o ex-ministro da Educação. A abordagem será feita fora dos templos religiosos, de acordo com o pastor. "Vamos fazer corpo a corpo e orientar os líderes para conquistar os votos para o Haddad", disse Galdino.

Futura Press
O candidato Fernando Haddad (PT) participa de encontro com líderes evangélicos no diretório municipal do partido, em São Paulo

O deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), um dos organizadores do ato, disse que o encontro evidencia uma reação desses líderes evangélicos ao apoio de gravado em vídeo por Malafaia ao candidato do PSDB. "O vídeo do Malafaia gerou uma reação de setores evangélicos contra o Serra", disse. Após a veiculação do vídeo, segundo ele, líderes evangélicos passaram a procurar a campanha petista com o objetivo de ajudar na mobilização.

"O pastor malafaia não deveria meter o bico aqui em São Paulo porque ele não tem igrejas em São Paulo", acrescentou Galdino. 

Kit anti-homofobia

No evento, representantes do movimento evangélico empenharam-se em evitar a associação direta com a polêmica sobre o kit anti-homofobia, que pautou o embate entre Haddad e Serra na semana passada. Questionado sobre o que faria se o kit chegasse em sua casa, Galdino disse num primeiro momento que não deixaria seu filho ler o material. Em seguida, se corrigiu e afirmou que orientaria seu filho de acordo com o que prega o Evangelho. Depois, engatou: "Eu quero que vocês separem o que é política e o que é igreja. Aqui, nós estamos fazendo política", disse. 

Fernando Takayama, representante da Assembleia de Deus Nipo-Brasileira, disse haver um equívoco em alguns setores religiosos sobre qual tratamento deve ser dado a este tema. "Há um equívoco de alguns pastores quer não estao entendendo a verdadeira missão pastoral. A palavra de Jesus diz: 'Bem aventurados os pacificadores. A lei de Cristo é a lei do amor. Eu não vim para julgar, nem para condenar. Vim para salvar", afirmou. 

Patrick Lewis, da Congregação Cristã Internacional, acrescentou: "A Igreja tem uma voz que é a voz do amor e da fé, Qualquer um que fala fora dessa linha não está falando em nome da igreja. Fala sim em nome de seus próprios interesses".

Reprodução
Manifesto foi divulgado nesta segunda-feira e é assinado por representantes de 11 igrejas evangélicas

Reivindicações

O manifesto assinado pelos 20 líderes evangélicos que endossaram a candidatura de Haddad traz cinco reinvindicações. Na lista, estão a liberdade para todas as crenças, a defesa do Estado laico, parcerias entre governo e entidades religiosas com fins sociais e promoção de políticas de inclusão social em vários setores.

A lista é concluída com um pedido pelo "fim das perseguições e do clima de medo imposto pelos governos de Serra e Kassab, com a aplicação de multas e até mesmo o fechamento de templos, através da aplicação arbitrária da legislação municipal, como a Lei do Psiu". O grupo não pediu a alteração da regra. Disse cobrar apenas que ela seja aplicada como prevê a lei. 

Presente no ato que tornou público o endosso a Haddad, o vereador José Américo Dias disse que pretende apresentar um projeto de lei na Câmara Municipal, para acabar com o que descreve como "ambiguidades" da Lei do Psiu. Segundo ele, a prefeitura hoje mede o volume no local em que os cultos são realizados e não na residência de quem apresenta a queixa de barulho.

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