'Nunca entreguei ninguém na vida', diz Genoino sobre processo do mensalão

Condenado por corrupção ativa no STF, ex-presidente do PT afirmou que vai provar sua inocência no caso, mas sem prejudicar os companheiros de partido

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Cercado por livros no pequeno escritório, instalado no quarto dos fundos de sua casa, o ex-presidente do PT José Genoino diz que lutará "todos os dias, semanas, meses e horas" para provar sua inocência no processo do mensalão .

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Na primeira entrevista exclusiva concedida desde que foi condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Genoino afirma, porém, que sua estratégia de defesa não aponta o dedo para companheiros. "Nunca entreguei ninguém na minha vida. Nem no pau de arara. Muito menos num processo que virou um grande espetáculo midiático", argumenta.

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Condenado pelo mensalão, José Genoino anuncia saída de cargo no governo

Acompanhado de seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, o ex-presidente do PT recebeu o jornal O Estado de S. Paulo em sua casa, no Butantã, na sexta-feira. Em quase duas horas de entrevista, fumou dez cigarros, ficou com a voz embargada em alguns momentos e citou passagens do livro Memórias de um Revolucionário, com páginas marcadas em papel amarelo nas quais escreve palavras como "Verdade", "Coragem" e "Totalitarismo".

Ex-guerrilheiro do Araguaia e deputado federal por 24 anos, até 2010, Genoino carrega um terço nas mãos para diminuir a tensão. "Quem tem a consciência do inocente não se curva, não se dobra", diz. Para ele, as crises na seara política não serão resolvidas pelo Judiciário. "A Justiça trabalha, muitas vezes, com o retrovisor. A política trabalha com o para-brisa."

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Genoino ao iG: 'É uma noite escura na condenação de um inocente'

No dia seguinte à condenação, Genoino anunciou a sua saída do cargo no governo : assessor especial do Mnistério da Defesa. Ele disse à época que considerava o julgamento do mensalão injusto, sem provas e pautado por setores da mídia e adversários políticos de seu partido. "Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes. Não me envergonho de nada. Continuarei a lutar com todas as minhas forças por um Brasil melhor, mais justo e soberano como sempre fiz", afirmou o ex-presidente do PT.

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