Manifestantes foram ao prédio onde mora o militar reformado que atuava no DOI-Codi e depositaram no local uma coroa de flores com fotos de militantes de esquerda

Agência Brasil

Movimentos sociais, liderados pelo Levante Popular da Juventude, fizeram neste sábado, na região da Avenida Paulista, no centro de São Paulo, uma manifestação para expor publicamente um militar reformado acusado de ter comandado sessões de tortura e homicídios durante a ditadura militar. O tipo de manifestação é inspirado em ações similares feitas na Argentina e no Chile chamadas de escracho.

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Coroa de flores é depositada em frente ao prédio do militar reformado acusado de tortura na ditadura
Agência Brasil
Coroa de flores é depositada em frente ao prédio do militar reformado acusado de tortura na ditadura

Cerca de 60 pessoas, segundo a Polícia Militar, fizeram uma pequena caminhada até a Rua Manoel da Nóbrega, endereço onde vive atualmente o militar reformado Homero César Machado, que chefiou equipes de interrogatório no antigo DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) entre os anos de 1969 e 1974.

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“O que fazemos aqui é reivindicar a memória das pessoas que lutaram contra a ditadura militar e também reivindicar o presente, porque hoje vemos esses torturadores impunes. Esse torturador [Machado] vive tranquilo em sua casa, não foi julgado e nem condenado, vive com aposentadoria paga com dinheiro público. O que ficou impune na ditadura dá carta branca para que esses crimes continuem acontecendo”, disse Paula Sacchetta, da Frente de Esculacho Popular.

Durante a caminhada, manifestantes colaram, em postes e latas de lixo, cartazes com fotos de pessoas que teriam sido torturadas por Machado na época da ditadura militar e distribuíram folhetos para a população informando que “um torturador mora neste bairro”.

Na frente do prédio onde Machado mora, familiares de Virgílio Gomes da Silva, que foi morto e torturado durante a ditadura militar, seguraram um megafone para dizer aos vizinhos que ali “mora um torturador”. Uma coroa de flores foi depositada em frente ao prédio e gritos e faixas lembravam um dos lemas do movimento: “Se não há Justiça, há esculacho popular”.

O ato chamou a atenção de vários moradores da região. Vários deles apenas espreitavam a manifestação pela janela, mas alguns desceram de seus apartamentos para saber o que estava ocorrendo. “Cumprimento o cara [Machado] há anos e nunca imaginei. Fiquei com nojo. Quando vi as fotos [dos torturados estampadas nos cartazes] e li as histórias, fiquei mesmo revoltada”, disse Sandra Gaui, moradora de um prédio próximo.

Durante a caminhada, manifestantes colaram, em postes e latas de lixo, cartazes com fotos de pessoas que teriam sido torturadas pelo militar
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Durante a caminhada, manifestantes colaram, em postes e latas de lixo, cartazes com fotos de pessoas que teriam sido torturadas pelo militar

A Agência Brasil não conseguiu falar com Machado. Um dos funcionários do prédio informou que o militar reformado não estava no local no momento do ato. Uma vizinha de apartamento disse que há 15 dias ele não se encontra no prédio. “Ele sempre foi muito gentil e educado. Até tomei um susto agora com essas informações. Ele não está aí. As correspondências dele estão na mesinha do lado do nosso corredor”, disse Fernanda Teixeira de Carvalho Souza.

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