Aliados incômodos pautam ataques entre Serra e Haddad em debate na TV

Tucano fez sucessivas menções a José Dirceu, enquanto petista procurou associar o rival à administração do prefeito Gilberto Kassab

iG São Paulo | - Atualizada às

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) recorreram a sucessivas menções sobre aliados incômodos no primeiro debate na TV neste segundo turno da eleição municipal. Organizado pela TV Bandeirantes, o confronto foi marcado desde o início por alfinetadas entre os dois adversários. No auge da troca de ataques, quem mais teve espaço nos discursos foi o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Enquanto Serra citou sucessivamente o nome do ex-ministro, Haddad empenhou-se principalmente em associar o rival ao prefeito Gilberto Kassab (PSD).  

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A primeira menção a Dirceu, condenado no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), foi feita por Serra ainda no segundo bloco, após Haddad cobrar um debate propositivo. Ao dizer que "quem gosta de baixaria é o PT", Serra engatou: "Isso aliás é o estilo Zé Dirceu, que cada vez mais se usa nesta campanha". Mais tarde, no terceiro bloco, Serra voltou a mencionar o ex-ministro da Casa Civil ao dizer que ele encabeçou uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) para acabar com a parceria entre o governo paulista e organizações sociais na gestão de hospitais. 

Haddad devolveu as críticas. "Serra, você tem uma obsessão com Zé Dirceu talvez pela relação de amizade que você teve com ele durante décadas", disse o petista. "Eu apelo para você que reconsidere a minha sugestão de protocolo de entendimento em favor do eleitor. Pelo amor de Deus, pare de mencionar pessoas que não estão disputando a eleição." Serra prosseguiu: "Se alguém esconde Zé Dirceu não sou eu. É seu guru político, um homem forte do PT. Foi condenado pelo STF e foi homenageado, aos gritos, pelo PT".

Serra, por sua vez, usou um discurso semelhante ao de Haddad para rebater as sucessivas menções do petista à gestão do atual prefeito Gilberto Kassab. "Você é quem tem obsessão com Kassab. O Lula aliás tentou insistentemente trazer o Kassab para a sua aliança", disse Serra, em referência à tentativa encabeçada pelo ex-presidente de negociar um acordo com o PSD do prefeito para as eleições municipais deste ano. 

Além de Dirceu e Kassab, outros aliados dos dois lados apareceram nas críticas. A ex-prefeita Marta Suplicy , por exemplo, protagonizou a troca de ataques entre os dois candidatos no quarto bloco. Diante de uma pergunta de Haddad sobre a cobrança taxa da inspeção veicular, Serra engatou: "Levantar o assunto de taxas, você? Você foi o ideólogo da Martaxa", afirmou o tucano, em referência ao fato de Haddad ter comandado a Secretaria de Finanças na gestão da ex-prefeita.

"Aliás, ela não queria você candidato a prefeito de jeito nenhum, precisou levar um ministério para te apoiar", acrescentou Serra. O candidato do PSDB se referia ao acordo que garantiu a Marta o comando do Ministério da Cultura.  

Em meio a críticas sobre obras inacabadas e promessas não cumpridas, Haddad também mencionou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para alfinetar o rival tucano. "Você escondeu Fernando Henrique e agora esconde Kassab", afirmou o petista.

1º Bloco

Haddad abriu o debate respondendo a pergunta sobre segurança pública. Dizendo querer contribuir com o governo do Estado nas ações da área, ele prometeu investir na Guarda Civil Metropolitana e melhorar áreas como iluminação e monitoramento urbano. "Eu sou daqueles que entendem que um prefeito tem muito a contribuir".

Serra, por sua vez, empenhou-se em resgatar sua experiência administrativa. "Eu vou fazer como fazia quando era governador", disse, acrescentando que comandou ações como o investimento feito em câmeras de monitoramento urbano e o aumento salarial dos guardas civis metropolitano.

2º Bloco

No primeiro bloco com embate direto entre os dois candidatos, Serra elencou várias medidas tomadas por ele nos cargos que ocupou e perguntou a Haddad se essas iniciativas foram tomadas "para pobre ou para rico". Na resposta, Haddad listou projetos iniciados pela gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e disse que Serra apenas os concluiu. "Evidentemente, Fernando, você não respondeu à minha pergunta", rebateu Serra.

O tucano também citou obras do metrô e, mais uma vez. "Eu não prometi nenhum hospital em 2008 porque eu era governador do Estado. Kassab disputou com a Marta e ganhou com 60%", disse Serra. O tucano disse ainda que a gestão petista comandou um loteamento de cargos. 

Alegando que o governo do PSDB tem "um desempenho de construção que é o pior do mundo", Haddad disse que Serra mostra em sua propaganda obras da gestão do governador do Estado, Geraldo Alckmin . O petista disse ter ouvido queixas de eleitores sobre a virulência da campanha e acrescentou: "Acho que devemos à população um esforço genuíno de discutir propostas".

Serra, por sua vez, criticou obras inacabadas iniciadas no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que a gestão petista não criou vagas em escolas técnicas. "É muito fácil falar, muito difícil fazer", disse Serra. O tucano empenhou-se ainda em responder à propaganda do petista na TV, segundo a qual a administração paulistana não usou recursos federais que estavam disponíveis para investimentos na cidade. "Uma das maiores, se não a maior mentira, é que eu e o Kassab deixamos de nos empenhar para trazer recursos federais para São Paulo", disse Serra. 

3º Bloco

Haddad também rebateu a propaganda eleitoral de Serra, ao negar que tenha a intenção de acabar com as parcerias com organizações sociais para a gestão de hospitais em São Paulo. E cobrou a entrega de hospitais prometidos pela atual gestão. "Zé Dirceu encabeçou uma representação junto ao Supremo Tribunal Federal para acabar com essas parcerias", respondeu o tucano. "Serra, você tem uma obsessão com Zé Dirceu talvez pela relação de amizade que você teve com ele durante décadas", disse Haddad. 

"Eu apelo para você que reconsidere a minha sugestão de colocarmos nossas assessorias para discutir um protocolo de entendimento em favor do eleitor. Pelo amor de deus pare de mencionar pessoas que não estão disputando a eleição", disse Haddad. Serra prosseguiu com as menções a Dirceu. "Se alguém esconde Zé Dirceu não sou eu. É seu guru política, um homem forte do PT. Foi condenado pelo STF e foi homenageado, aos gritos, pelo PT."

O tucano também criticou Marta Suplicy, que segundo ele perdeu a eleição em 2008 porque "arrasou" o programa Mãe Paulistana. Haddad, por sua vez, voltou a fazer críticas a Kassab, mencionando principalmente o desempenho do prefeito do PSD na saúde. Ao tomar a palavra, Haddad citou a saída de Serra da prefeitura em 2006. 

Usando um discurso semelhante ao de Haddad, Serra rebateu as sucessivas menções do petista à gestão de Kassab na prefeitura. "Você aliás é que tem obsessão com Kassab. O Lula aliás tentou insistentemente trazer o Kassab para a sua aliança." Haddad rebateu: "Ele é o atual prefeito da cidade. Você quer que eu fale de quem?"

4º Bloco

Depois de discorrerem sobre o ensino técnico, Serra e Haddad voltaram a trocar ataques ao abordar a taxa da inspeção veicular cobrada na cidade. Questionado pelo petista sobre o assunto, Serra revidou: "Levantar o assunto de taxas, você? Você foi o ideólogo da Martaxa. Aliás, ela não queria você candidato a prefeito de jeito nenhum, precisou levar um ministério para te apoiar", disse o tucano, em referência à ex-prefeita Marta Suplicy. "Falar em taxa quem é especialista nisso?"

Haddad prometeu acabar com a cobrança. E, diante das sucessivas menções de Serra ao fato de ter sido secretário de Finanças na gestão de Marta, disse que respondia na época ao atual presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad. "Você fica falando de mim na Secretaria de Finanças, mas meu chefe era o João Sayad. Que você convidou para ser seu secretário", disse o petista.

Serra disse que, ao prometer acabar com a taxa do Controlar, Haddad apenas vai diluir a cobrança e fazer com que todos os contribuintes paguem por ela.  "É uma enganação você dizer que vai eliminar a taxa. A verdade é que em vez de os donos de automóveis pagarem, vai pagar quem é dono de automóvel e quem não é dono de automóvel. Vai estatizar a taxa."

5º Bloco

Os dois candidatos fizeram suas considerações finais. Serra disse estar na política para "servir aos outros". E acrescentou que não entrou na política para "ser celebridade, nem por badalação". "A política para mim cobrou um preço alto", disse o tucano, citando como exemplo o exílio durante o regime militar. O resultado, disse ele, é o fato de estar preparado para ser prefeito. Serra disse querer montar uma "equipe séria" e "sem companheirada". 

Haddad, por sua vez, aproveitou para se apresentar mais uma vez aos eleitores. Citou seu currículo acadêmico e sua experiência em cargos no governo, como o Ministério da Educação. Mencionou também sua relação com os governos de Lula e da presidenta Dilma Rousseff , dando destaque à popularidade das duas administrações. "É em nome desse êxito que me apresento ao povo paulistano", disse o petista. 

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