'Ratinho Jr. lembra um pouco Fernando Collor', diz Fruet

Candidato do PDT à Prefeitura de Curitiba acusa rival de “procurar velhas raposas da política do Paraná”

Brasil Econômico - Rafael Abrantes | - Atualizada às

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Contra todas as projeções, o candidato do PDT à Prefeitura da capital paranaense, Gustavo Fruet, chegou ao 2º turno. Superada a primeira votação, o ex-tucano ainda tenta explicar sua atual aliança com petistas e “constrangimentos” sobre a ausência de Lula na campanha, além de apontar “contradição” no discurso do rival Ratinho Jr.

AE
O ex-deputado federal Gustavo Fruet, ao lado da ministra Gleisi Hoffmann, é confirmado candidato de Curitiba em convenção do PDT

Brasil Econômico: Por que as pesquisas o colocavam fora do 2º turno na disputa em Curitiba?

Gustavo Fruet: A minha posição nunca foi achar que haja má-fé, mas por alguma razão a metodologia não consegue detectar os movimentos (do eleitorado). Isso tem um efeito no ânimo da equipe, na disposição de parcela do eleitor, e no financiamento da campanha. Isso é um crime contra a democracia.

BE: Quanto do resultado no 1º turno se deve à presença da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, na sua campanha?

GF: Não tem uma causa de derrota ou uma de vitória. Mas ela assumiu a campanha. Foi muito importante, sem dúvida. Na eleição para o Senado (em 2010), fiz 640 mil votos em Curitiba, e a Gleisi, 420 mil votos. Provavelmente esta semana vamos fazer um grande evento com a presença dela à noite.

BE: Por que o sr. não participou de gravações com o ex-presidente Lula no 1º turno?

GF: Eu estive no Instituto (Lula), com o (ministro das Comunicações) Paulo Bernardo, e não gravaram. Fiquei muito focado na questão local. Não queria criar constrangimentos para ninguém. Não fiquei me movimentando para cobrar apoio e depoimento.

BE: Então o sr. nunca considerou ter a presença de Lula na campanha?

GF: Não. Principalmente em função da pressão exercida pelo Ratinho Jr. (do PSC, aliado do governo). Eles me criticam pela aliança com PT, até de uma forma desqualificada, mas pressionam Lula e a presidente Dilma para não dar declaração. Também não vou ficar constragendo ninguém, vou para rua.

BE: Constranger quem?

GF: O PT local.

BE: Sua saída do PSDB para a base do governo não confunde os eleitores?

GF: Não. Primeiro, isso é uma leitura nacional sobre uma questão local. Não é o tema prioritário. Segundo, tentaram desconstruir minha trajetória. Fizeram campanha covarde, dizendo que eu era ligado ao (Carlinhos) Cachoeira, que eu ia trazer os mensaleiros para Curitiba, que tinha amealhado corruptos. Aí não é mudança de lado, é outra coisa.

BE: O sr. vai responder a isso no 2º turno?

GF: Vou. Sempre deixei claro: eu não mudei de posição, a gente fez uma aliança local. Eu entendo que quando a gente olha de fora tendemos a projetar isso para a composição nacional, mas foi uma aliança local contra a coligação do PSB e PSDB com 15 partidos. Boa parte deles apoiam o governo federal.

BE: O Ratinho Jr. falou ao Brasil Econômico em combater “velhos grupos políticos” do Paraná e citou seu nome. Concorda com esta definição?

GF: Não, pelo contrário. Eu disse que não ia procurar caciques, e é o que ele fez até agora, com (Roberto) Requião e (Rafael) Greca (do PMDB). E apesar da idade (mais jovem), ele tem a velha prática da política. É dono de concessão de rádio e TV, votou pelo aumento do número de vereadores, pelo aumento de salário. Lembra um pouco o (ex-presidente Fernando) Collor. Ele que procura estar com as velhas raposas da política do Paraná. Mas isso é uma provocação menor, apenas para mostrar a contradição.

BE: Como estão as negociações para apoio no 2º turno?

GF: Algumas são caras, outras lideranças não quero falar, pois é uma relação histórica de afastamento. É o caso do Requião. Uma parte da bancada do PSDC e o DEM local já vão nos apoiar. Há também um bom indicativo do PSD e PPS.

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