Terceiro mais votado no 1º turno, Heitor Férrer se declarou neutro no 2º turno, mas foi usado na propaganda de Elmano criticando Cid Gomes, que apoia o candidato do PSB

Após declarar neutralidade no segundo turno em Fortaleza, o candidato derrotado do PDT Heitor Férrer teve sua imagem utilizada à revelia na propaganda de Elmano de Freitas (PT) veiculada no horário eleitoral na noite de segunda-feira (15).

O pedetista ficou neutro no segundo turno divergindo da posição do PDT e do PPS, partidos que estavam coligados e formalizaram apoio à candidatura de Roberto Cláudio (PSB) há quatros dias.

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Férrer concedeu entrevista coletiva expondo as razões pelas quais não apoiaria nenhuma das candidaturas. Na gravação exibida na propaganda do PT, aparecem trechos da entrevista nos quais o pedetista explica por que não apoia Roberto Cláudio, mas a edição deixa de fora os argumentos contra Elmano de Freitas.

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No recorte em questão, Férrer diz que votar “no candidato do governador Cid Gomes (PSB) seria negar a própria história” e afirma ser contra a “hegemonia” de uma “oligarquia” no Ceará, se referindo à possibilidade de ter o PSB à frente do Estado e da capital cearense.

Na manhã desta terça-feira (16), Férrer classificou a edição como “desrespeitosa” e “aética”, “deixando entender que nós fazíamos críticas apenas ao candidato do governador”.

Além disso, o PDT ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral para impedir que a gravação fosse reproduzida novamente. A juíza da 117ª Zona Eleitoral de Fortaleza, Maria das Graças Almeida de Quental, determinou "a retirada imediata da propaganda eleitoral em bloco ou inserção em rádio e TV”. O trecho chegou a ser exibido mais uma vez no programa de rádio da manhã, mas não no programa de televisão do início da tarde.

Férrer gravou ainda uma nova entrevista para a equipe da produtora de vídeo responsável pela campanha de Roberto Cláudio esclarecendo como sua fala foi usada. Ele também autorizou a utilização do trecho da entrevista anterior no qual diz não votar em Elmano de Freitas por ele representar o “continuísmo” da gestão da prefeita Luizianne Lins (PT).

Para o deputado estadual Antonio Carlos (PT), um dos coordenadores da campanha do PT, não há irregularidade na veiculação da gravação, pois, na avaliação dele, se trata de uma entrevista pública. Já Roberto Cláudio diz ter visto “manipulação” na forma como a entrevista foi editada.

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