Mais desconfiado, eleitor resiste aos votos de legenda

Em comparação com a eleição de 2008, votos nominais para vereador aumentaram em 7 milhões em todo País

Brasil Econômico - Marcelo Ribeiro | - Atualizada às

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A escolha de um nome para a Câmara de Vereadores está sendo levada mais à sério pelo eleitorado brasileiro. A ascensão dos votos nominais entre as eleições de 2008 e 2012 comprova a tese, enquanto o número de cidadãos que escolhem o seu candidato considerando apenas a legenda partidária é cada vez menor.

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Neste ano, entre os 105,8 milhões de votos válidos no 1º turno, 97.034.953 eleitores votaram em algum dos candidatos que pleiteavam uma vaga na Câmara. Quatro anos antes, na corrida municipal de 2008, pouco mais de 90 milhões (90.037.953) escolheram um candidato específico para o cargo de vereador.

O crescimento de 7 milhões de eleitores optando pelo voto nominal chama a atenção de especialistas, embora o número de votos válidos tenha aumentado, de 101,9 milhões para 105,8 milhões. Na comparação entre os últimos dois pleitos municipais, a elevação chega a 7,25%.

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Para Marco Antonio Teixeira, professor de ciências políticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o fato de as legendas não representarem uma unidade política faz com que os partidos prefiram atribuir o poder a um candidato. “Votar na legenda seria mais aceito e praticado se os partidos representassem uma ideia em conjunto. As diferenças internas fazem com que o eleitor perca a confiança nesse voto indefinido”, diz.

De fato, o número de eleitores que utilizaram a legenda como base do voto diminuiu em quase 2,7 milhões, passando de 11.501.658 em 2008, para 8,84 milhões (8.841.082) no último dia 7.

A perda de credibilidade e carisma também seria outro fator determinante para a mudança de comportamento do eleitorado. “Nenhum partido tem um grande apelo hoje, e estão todos com menos prestígio”, avalia Murillo de Aragão, cientista político.

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Segundo Teixeira, a tendência é que os mais de 115 milhões de eleitores em todo país fiquem cada vez mais exigentes e desconfiados”. Maria do Socorro Souza Braga, cientista política da Ufscar, aponta também que a preferência por um nome e número se dá pelos projetos dos candidatos à cidade serem mais específicos, “enquanto os planos de governo estabelecidos pelos partidos são amplos demais”.

Na contramão das estatísticas eleitorais, o ex-candidato socialista à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL), viu sua votação — 28,15% — estimular outros 114.933 votos na sua legenda na escolha dos vereadores cariocas.

Com isso, o partido ampliou sua bancada na Câmara Municipal de 1 para 4 cadeiras. Os votos de legenda do PT, por sua vez, somaram 20.845. “O eleitor do PSOL é mais ideologizado que os outros”, lembra Aragão.

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