STF fez 'julgamento de exceção', dizem petistas

Maioria do Supremo condenou por corrupção ativa o núcleo do PT, do qual fazem parte Dirceu, Delúbio e Genoino; líderes do partido vão definir reação política

Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

Lideranças do PT começaram a definir nesta terça-feira as linhas de argumentação para defesa política junto à sociedade do próprio partido e dos dirigentes José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) e José Genoino (ex-presidente do PT), condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelo crime de corrupção ativa no escândalo do mensalão .

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Amanhã, o diretório nacional do partido vai aprovar uma resolução política com a posição do PT sobre o julgamento. O próprio Dirceu estará presente na reunião e deve usar o espaço para fazer sua defesa e pedir uma reação política do partido.

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Em conversas durante todo o dia de hoje, líderes petistas discutiram as estratégias de ação. O PT levantou dados para dizer que o mensalão só foi julgado porque o governo Luiz Inácio Lula da Silva criou mecanismos para o combate à corrupção.

Quando Lula assumiu, existiam apenas 179 varas da Justiça Federal e nos oito anos de seu mandato foram criadas outras 413. O efetivo da Polícia Federal foi triplicado e o número de procuradores do Ministério Público Federal quadruplicado. Além disso, foi Lula quem criou a Corregedoria-Geral da União.

“O importante é que pela primeira vez o Brasil está presenciando isso, ao contrário de outros casos que até vieram à tona, mas não foram nem sequer investigados”, disse a prefeita da Fortaleza, Luiziane Lins.

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Segundo dirigentes petistas, o partido vai comparar a decisão do STF a um julgamento de exceção alegando que não havia provas nos autos para as condenações. Também vão contestar o fato de que os casos com maior repercussão política ocorreram paralelamente às eleições.

“O cara que fez este calendário é um gênio”, ironizou o secretário de organização, Paulo Frateschi. “Este calendário foi feito para nos derrotar”, completou o dirigente.

Além disso, o PT vai desenterrar os principais escândalos ocorridos no governo Fernando Henrique Cardoso, como a suposta compra de votos para a reeleição do tucano, o mensalão mineiro, o Dossiê Cayman e o processo de privatização das empresas de telefonia.

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Os 32 anos de história do partido e as colaborações do PT no processo de redemocratização do País e na mudança do perfil social brasileiro, tirando milhões de pessoas da miséria, também serão usados no debate.

O principal objetivo é preparar o partido para a campanha pela reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. No entanto, Lula pediu hoje, em reunião com os candidatos do PT que disputarão o segundo turno das eleições municipais, que o partido enfrente as denúncias de “cabeça em pé”.

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