PRB anuncia que ficará neutro no segundo turno em São Paulo

Marcos Pereira, presidente do partido, afirma que não apoiará nem Serra nem Haddad. Russomanno, que ficou em terceiro lugar, obteve 21,60% dos votos

Rafael Romer - iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, anunciou nesta quarta-feira (10) que o partido ficará neutro no segundo turno das eleições municipais de São Paulo. “O PRB não apoiará o candidato José Serra e, ao contrário do que todos achavam e davam como certo, também não apoiará o candidato Fernando Haddad ”, afirmou.

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Ao lado do candidato derrotado Celso Russomanno , Pereira disse que o partido tomou a decisão após conversar com as duas campanhas e negou que qualquer acordo estivesse sendo negociado em troca da aliança. “O PRB é independente e eu sou subordinado única e exclusivamente à minha consciência. A minha consciência não me permite caminhar nem com um nem com outro”, disse o presidente da sigla e bispo licenciado da Igreja Universal.

Pereira confirmou que se encontrou com representantes do PT e do PSDB durante a semana e afirmou que a decisão foi motivada pelo tom agressivo que a campanha deve tomar no segundo turno. "Ao ver, e inclusive está nos jornais, que um vai atacar isso e outro vai atacar aquilo, eu disse comigo mesmo que nós não deveríamos entrar nessa baixaria", afirmou.

Russomanno, que também fez referência aos ataques que recebeu na última semana de campanha, negou que estivesse magoado com o candidato petista, mas pediu por um segundo turno "ético", "Se mais uma vez houver baixaria no segundo turno, eu peço que nossos eleitores, aqueles que gostaram das nossas propostas, que fiquem neutros também", completou. Em seguida, o ex-candidato negou que pregava pelo voto nulo no segundo turno. Questionado sobre em quem votaria, Russomanno preferiu não se pronunciar.

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A declaração ocorre três dias após o primeiro turno das eleições municipais, na qual o candidato da legenda, Russomanno, ficou em terceiro lugar na disputa, com 1.324.021 votos, ou 21,60% do total. José Serra (PSDB) foi o primeiro colocado, com 30,75%, e Haddad, o segundo, com 28.98%.

O apoio ao PT era visto como o caminho natural para o partido, que é aliado ao governo da presidenta Dilma Rousseff no plano federal e tem nas mãos o Ministério da Pesca. O fundador do partido e empresário José Alencar foi também vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva e um dos principais articuladores de apoio de setores do empresariado ao governo Lula durante os oito anos de mandato.

Pereira negou que a neutralidade do partido deva mudar a relação com o PT. "Eu entendo que não porque eu ouvi de alguns dirigentes do PT, quando fui reclamar com eles sobre as ações que eles estavam fazendo durante a campanha, que o que acontecesse em São Paulo não atrapalharia a relação nacional porque a eleição é local", disse.

A campanha na capital paulista deve contar com a participação intensa de Dilma, com atos públicos e gravações para o horário eleitoral de Fernando Haddad. Na manhã desta quarta-feira (10), a presidenta esteve na capital para reunir-se com o ex-presidente Lula. Pereira negou que participou do encontro.

O presidente nacional do PRB confirmou também que o ministro Marcelo Crivela chegou a se encontrar com Dilma na segunda-feira para costurar um acordo com o PT. "Ele conversou comigo muito na segunda, ontem e hoje pela manhã, mas a decisão da executiva nacional é soberana", completou

Russomanno, que liderou a disputa pela Prefeitura de São Paulo durante a maior parte da disputa, chegou a ter 16 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado, Serra, segundo pesquisas do Ibope. Na última semana, o candidato do PRB “desidratou” e chegou aos 26% dos votos válidos, numericamente empatado com os dois adversários.

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Uma das principais motivações da queda do PRB foi o aumento de tom do candidato petista contra Russomanno, principalmente das críticas em relação à proposta do Bilhete Único proporcional. Uma das principais bandeiras do plano de governo de Russomanno, o bilhete cobraria uma tarifa proporcional para quem andasse distâncias menores com o ônibus, com o preço máximo fixado em R$ 3. Haddad chegou a afirmar que a proposta de Russomanno causaria desemprego na periferia. “Nenhum empregador que mora perto vai contratar alguém que mora longe. Ele vai aumentar os custos da empresa dele desnecessariamente”, afirmou na campanha.

As críticas de Haddad miraram a derrubada de Russomanno nas chamadas “franjas” da periferia, como o extremo sul e extremo leste de São Paulo, zonas tradicionalmente petistas, onde Russomanno estava “roubando” votos de Haddad.

Durante a campanha, Russomanno chegou a ser comparado ao ex-prefeito Celso Pitta e ao ex-presidente Fernando Collor - ambos considerados "novos" durantes as eleições, mas que participaram de grandes escândalos de corrupção.


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