Deputado tucano confirma amizade com contraventor na CPI do Cachoeira

Em depoimento à comissão, Carlos Leréia (PSDB-GO) nega envolvimento com atividades ilegais, mas admite empréstimo de R$ 120 mil de Cachoeira

iG São Paulo | - Atualizada às

O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) disse em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que não beneficiou o contraventor  Carlinhos Cachoeira . O tucano confirmou ser amigo de Cachoeira desde 1987, como feito anteriormente , mas nega envolvimento com atividades ilegais.

Leréia disse ainda dever R$ 120 mil a Cachoeira, que teria emprestado o dinheiro para saldar um financiamento rural feito em 2011. “Pedi socorro ao Carlinhos para ele me ajudar. Só não paguei o Carlinhos porque ele está na prisão”, disse em resposta ao relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG) se ele teria recebido R$ 200 mil de Cachoeira.

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Alan Sampaio
CPI do Cachoeira retoma trabalhos com depoimento do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), amigo de Carlinhos Cachoeira

De acordo com investigações da Polícia Federal, o parlamentar teria recebido dinheiro da organização de Cachoeira. Além disso, teria alertado o contraventor sobre uma operação policial e usado o cartão dele para fazer compras.

Segundo a PF, Leréia e Cachoeira conversaram por telefone pelo menos 72 vezes entre março e julho do ano passado. O nome do deputado é citado em outros 26 telefonemas entre o contraventor e supostos membros da organização criminosa.

Delta

Leréia confirmou que se encontrou com Cachoeira na sede da Delta em Goiás de duas a quatro vezes. Segundo o parlamentar, ele questionou o contraventor sobre o motivo de se reunir lá, mas Cachoeira não quis explicar. “Eu conversava na sacada da Delta. Não achei estranho. Carlinhos é relacionado a meio mundo de gente. Uma vez perguntei a relação dele com a Delta, ele não quis falar e eu deixei pra lá.” O deputado disse que nunca foi perguntado sobre nada da construtora.

CPI: Comissão retoma trabalhos com depoimento de deputado amigo de Cachoeira

O parlamentar disse ainda que intercedeu por duas pessoas, um já no governo goiano e outra para ser contratada, a pedido de Cachoeira. “A única coisa que ele me pediu foi um emprego para uma pessoa trabalhar no estado de Goiás”, disse.

Prorrogação

No início da sessão, os integrantes da CPI decidiram adiar para a próxima quarta-feira (17) a reunião administrativa inicialmente prevista para amanhã (10) na qual deverão ser analisados mais de 500 requerimentos. Eles também marcaram para a próxima terça-feira (16) uma reunião de líderes para discutir a prorrogação dos trabalhos de investigação.

O prazo para a conclusão dos trabalhos da comissão é 4 de novembro. Para estender o tempo para investigar, é preciso o apoio de um terço dos parlamentares do Congresso. São necessárias as assinaturas de 171 deputados e de 81 senadores, assim como foi feito para criar a CPMI

Com Agência Câmara

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