Comissão tem 542 requerimentos, incluindo pedido de abertura de dados fiscais de Fernando Cavendish

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a ligação do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com um esquema de jogos ilegais e fraudes em licitações de obras públicas já soma 542 requerimentos para avaliação. Entre eles, estão 99 pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de pessoas supostamente ligadas ao esquema – como o empresário Fernando Cavendish, dono da Construtora Delta.

A CPI do Cachoeira retoma os trabalhos nesta terça-feira (9), com depoimento do deputado Carlos Lereia (PSDB-GO). Mas deixará para uma reunião na quarta-feira da próxima semana a definição sobre se aprova ou não as quebras de sigilo. Na terça, uma reunião decidirá se os trabalhos serão estendidos ou não. 

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CPI do Cachoeira retoma trabalhos com depoimento do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), amigo de Carlinhos Cachoeira
Alan Sampaio / iG Brasília
CPI do Cachoeira retoma trabalhos com depoimento do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), amigo de Carlinhos Cachoeira


A oposição acusa a base do governo no Congresso de querer encerrar a comissão em 4 de novembro. Instalada em 24 de abril, o prazo da CPI termina no próximo mês. “Querem encerrar a CPI. Se isso acontecer, será desmoralização do Congresso”, afirma o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O senador socialista acusa o PT, PSDB e DEM de estarem negociando o fim da comissão. O líder dos Democratas no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN), diz não ser contra a prorrogação da CPI e cobra resultados concretos da comissão. “Sou favorável para que todos os fatos sejam investigados, independente de prorrogação ou não”, diz. O enfraquecimento da investigação, durante o julgamento do mensalão e as eleições, foi visto como ponto de virada para encerrar a CPI.

A paralisação das investigações parlamentares em outubro, no chamado ‘recesso branco do Congresso’ – quando senadores e deputados voltam às suas bases para concorrer ou apoiar candidatos nos pleitos municipais - foi alvo de crítica de Pedro Simon (PMDB-RS). O senador gaúcho chegou a fazer uma representação no Conselho de Ética e na Corregedoria do Senado sobre a “inexplicável paralisação dos trabalhos”.

Relatório quase pronto

O governo chegou à conclusão de que a continuidade da investigação pode arranhar a imagem do Palácio do Planalto. Peso na avaliação as declarações do ex-diretor do Dnit, Luiz Pagot, que depoimento na CPI disse que a campanha de Dilma, em 2010, pediu que ele arrecadasse recursos de empreiteiras.

O avanço da investigação também incomoda o PSDB, que teve o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) envolvido na apuração de irregularidades que aponta o favorecimento da Delta em licitações em Goiás. O PT também viu o governador Agnelo Queiroz (PT-DF) ser questionado sobre a Delta.

O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), já estaria concluindo o relatório final da CPI, disposto a entrega-lo nas próximas duas semanas, pouco antes do prazo da CPI expirar. A posição do relator já teria o apoio do PMDB, o que tornaria praticamente impossível a aprovação das quebras de sigilo na reunião entre os integrantes da comissão nesta quarta-feira (10).

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