Ao condenar Genoino, STF descarta tese de que Delúbio Soares agiu sozinho

Maioria dos ministros do Supremo condenou cúpula do PT por corrupção ativa na sessão desta terça-feira

iG São Paulo | - Atualizada às

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitaram a tese de que o esquema do mensalão foi arquitetado sem a anuência ou o conhecimento do comando do PT. A maioria dos ministros da Corte condenou nesta terça-feira o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do partido José Genoino, assim como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e mais cinco réus pelo crime de corrupção ativa.

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Genoino sempre argumentou que tinha papel institucional à frente do partido

O voto mais duro contra a cúpula do partido veio do ministro Marco Aurélio Mello: “(Genoino) não tinha conhecimento de que Valério estava emprestando dinheiro ao Partido dos Trabalhadores. Poupem-me! Esse desejo de atribuir a Genoino, pela história de vida que tem, tamanha ingenuidade!”, afirmou.

Desde que vieram à tona as primeiras denúncias sobre o mensalão, em 2005, Genoino procurou se isentar da responsabilidade alegando que cumpria um papel “institucional” à frente da legenda. As afirmações sempre foram usadas para embasar a tese de que Delúbio agiu sozinho ao orquestrar o esquema, que na versão do PT não passava de um caixa dois para movimentar recursos para campanhas eleitorais.

Genoino foi condenado por sete dos oito ministros que se pronunciaram até agora sobre o item de corrupção ativa. O único a absolvê-lo foi o revisor Ricardo Lewandowski. Para Cármen Lúcia, não é possível afirmar que o ex-presidente do PT foi incriminado somente por ser presidente do PT, pois as provas ligam seu nome aos empréstimos tomados junto a Valério. Em seu voto, Mendes ressaltou que o precesso é "abundante em provas".

Delúbio, por sua vez, foi condenado por todos os oito ministros. Ao falar do caso do ex-tesoureiro, Toffoli afirmou: "O denunciado transmitia os valores a serem repassados e a quem Valério deveria beneficiar. As provas não apresentam fragilidades ou dúvidas sobre a participação desse réu”.

O julgamento do item da denúncia da Procuradoria-Geral da República que trata de corrupção ativa será concluído nesta quarta-feira, com o voto do ministro Celso de Mello.

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