Herdeiros políticos são um quarto dos eleitos na Câmara Municipal do Rio

Sucessores usam a Casa como entrada para vida pública. Filha de Roberto Jefferson é reeleita após pai ser condenado no Mensalão, e filha de miliciano Jerominho fica fora

Raphael Gomide (iG Rio de Janeiro) |

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Filha de Roberto Jefferson, Cristiane Brasil abraça Paes na campanha para a reeleição

Herdeiros políticos vão congestionar a Câmara Municipal do Rio de Janeiro nos próximos quatro anos. Filhos, irmãos, netos, mulheres ou até amigos de políticos mais famosos e bem-sucedidos representarão mais de um quarto (14 de 51) dos vereadores eleitos nas eleições de ontem na cidade.

Eles integrarão a Câmara Municipal da segunda gestão de Eduardo Paes (PMDB), reeleito com votação recorde , de 65% dos votos, para ser o prefeito das Olimpíadas do Rio em 2016.

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Alguns dos herdeiros já têm trajetória política consolidada entanto outros são novatos e ganharam agora seu primeiro cargo público.

Entre os destaques, mais prestigiados pelo eleitor, estão Jairinho (43.181 votos), filho do deputado Coronel Jairo (PPP), Chiquinho Brazão (35.644), irmão do também deputado estadual Domingos Brazão (PMDB), reeleitos, e o estreante Júnior da Lucinha (PSDB), filho de Lucinha, vereadora mais votada em 2008 e se deputada estadual eleita em 2010.

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A campeã de votos, Rosa Fernandes (68.452), tem longa trajetória e vai para o sexto mandato, após sofrer um infarto em fevereiro. Mas ela começou na carreira também pelas mãos do pai, Pedro Fernandes, morto aos 81 anos em 2005, no décimo mandato consecutivo na Alerj, como ela faz questão de citar no seu perfil na Câmara.

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Leonel Brizola Neto usa o lenço vermelho, marca do avô, e revisita políticas do governador

Subprefeito da região do Grande Méier, Rafael Aloísio Freitas leva o nome do progenitor, Aloísio Freitas, vereador da cidade até o fim do ano, e teve 25.278 votos.

Leonel Brizola Neto, 37 anos, leva o mesmo nome do avô, governador do Rio e do Rio Grande do Sul e, por muitos anos, a principal influência política no Estado. Pelo PDT construído pelo avô, teve 24.044 votos e se reelegeu.

Antes dele, o atual ministro do Trabalho e irmão mais novo, Carlos Daudt Brizola, abandonara o apelido de família, "Carlito", para também adotar o nome político Brizola Neto e seguir os passos do avô, principal ator político no Estado por muitos anos.

Cristiane Brasil é reeleita após STF condenar pai, Roberto Jefferson, no Mensalão

Herdeira do polêmico Roberto Jefferson (PTB), condenado pelo Supremo Tribunal Federal por sua participação no Mensalão – onde foi protagonista por denunciar o esquema nacional – , Cristiane Brasil (PTB), se reelegeu para o terceiro mandato. A faixa-preta de caratê explica em seu perfil na Câmara que “tem como um de seus objetivos levar à frente a luta de seu pai pela moralização da política nacional”.

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Filha do senador Nelson Carneiro, Laura Carneiro se elegeu após dois mandatos como deputada federal

Filho do casal de políticos Jorge Pereira (ex-vereador) e de Graça Pereira – deputada estadual cassada por abuso de poder econômico ao manter centros sociais –, Jimmy Pereira foi eleito vereador, com 10.551 votos.

Herdeira de pai mais famoso, Laura Carneiro (PTB), filha do senador Nelson Carneiro, já foi deputada federal por dois mandatos, mas estava sem mandato desde 2008, após ser investigada por fraudes no INSS e pela CPI dos Sanguessugas.

No ramo evangélico, dois candidatos se elegeram tendo como principais cabos eleitorais religiosos proeminentes no Rio. Diretor do Centro Esportivo Miécimo da Silva, Eliseu Kessler é filho do pastor Nemuel Kessler, da Assembleia de Deus, e teve 12.717 votos pelo PSD. Alexandre Izquierdo (PMDB) foi o nome ungido pelo influente Silas Malafaia e foi o oitavo que mais recebeu votos, 33.356.

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Agência Senado
Bolsonaro elegeu mais uma vez o filho no Rio

Outro que se reelegeu – para o quarto mandato – foi Carlos Bolsonaro , segundo filho na política do também controverso deputado federal Jair Bolsonaro, crítico do PT e representante de militares em Brasília. Carlos Bolsonaro foi eleito para a Câmara pela primeira vez em 2000, com 17 anos.

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O irmão, Flávio, é deputado estadual desde 2003. Assim, a família está representada nas três esferas do Legislativo.

Mulher do ex-deputado estadual Gerson Bergher, Teresa Bergher teve 27.344 votos e se reelegeu para o terceiro mandato.

Filha de vereador condenado Jerominho, Carminha não se elege

AE
Filha do miliciano Jerominho, Carminha Jerominho não se elegeu para a Câmara

Além dos eleitos, muitos outros sucessores amargaram a decepção de ser derrotados, demonstrando que a transferência de prestígio não é tão automática.

Foi o caso da vereadora cassada  Carminha Jerominho (PTdoB), filha do ex-vereador Jerominho, preso sob a acusação de participação em milícias . Uma surpresa foi a não-eleição de “Wagner Montes, o Filho” (PRB), primogênito do apresentador de TV, o mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio, com 528 mil votos. O filho teve expressiva votação, 22.597 votos, mas não se elegeu.

A comunicadora Cidinha Campos também não conseguiu ter êxito em transformar seu filho Ricardo Campos em vereador. O empresário de 30 anos conseguiu 7.521 eleitores, mas ficou fora.

A vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira se recusou a concorrer novamente à Câmara, após dois mandatos, por se declarar contrária à permanência em cargos públicos por mais de dois mandatos. Ela apoiou, sem sucesso, o aliado Arraes, que não passou dos 5.640 votos e ficou fora, muito longe da vaga.

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