Contra mensalão, PT ressuscita compra de votos para reeleição de FHC

Ao comentar resultado do primeiro turno, Rui Falcão, presidente do partido, disse que não teme debate ético e citou impunidade no governo do ex-presidente

Ricardo Galhardo - iG São Paulo |

Embora o PT avalie que o julgamento do mensalão teve efeito quase nulo no resultado das eleições deste domingo, a direção do partido já esboça um discurso de contra-ataque tanto em relação aos adversários no segundo turno quanto para a defesa política do partido depois das eleições e do fim do julgamento.

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Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira para comentar o resultado do primeiro turno, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, citou a impunidade na era tucana e elencou escândalos do governo Fernando Henrique Cardoso, como a suposta compra de votos no Congresso para a emenda constitucional que permitiu a reeleição, como armas do PT no debate ético.

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“Para falar em debate ético é preciso primeiro explicar a compra de votos para a reeleição, o Dossiê Cayman, as privatizações que foram feitas a preço de banana e com suspeita de caixinha. Há várias questões no plano ético. Nós não tememos este debate”, disse Falcão.

O presidente do PT lembrou que, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, mecanismos de controle contra a corrupção foram criados e reforçados como a Controladoria Geral da União e a Polícia Federal enquanto nos oito anos de FHC as denúncias nem sequer chegavam a ser investigadas.

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“O que está sendo debatido agora, inclusive o julgamento, só ocorre porque o governo Lula criou a CGU e reequipou a PF e porque as denúncias foram investigadas. Tinha um procurador geral (Geraldo Brindeiro) na época do nosso adversário (José Serra, ex-ministro de FHC) que foi chamado por vocês (imprensa) de engavetador geral da república. Hoje não há engavetador, há um procurador que opina inclusive sobre o resultado das eleições livremente”, afirmou o presidente do PT.

Em um recado velado a Serra, Falcão disse que este debate pode ser desfavorável ao tucano na eleição de São Paulo. “Acho que é um campo desfavorável para o nosso adversário porque o Fernando Haddad não tem nenhuma nódoa no seu prontuário”, disse Falcão.

O diretório nacional do PT deve definir nesta quarta-feira, numa reunião em São Paulo, as linhas de estratégia para defesa do partido caso se confirmem as condenações de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares pelo Supremo Tribunal Federal. A principal delas será a cobrança por agilidade no julgamento do chamado mensalão mineiro, que envolve o PSDB, aconteceu sete anos antes do mensalão petista e até hoje não foi julgado.

É aguardada a presença de Dirceu na reunião, onde o ex-ministro pode fazer um pronunciamento cobrando uma reação política do partido às decisões do STF.

“Dirceu é membro do diretório nacional e se ele quiser vir não nos causará nenhuma surpresa. Ele é bem vindo”, disse Falcão.

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