Com Haddad no 2º turno, PT dá à eleição em São Paulo tom de final de campeonato

Resultado das urnas acende clima de euforia no partido, que diz ver 'simbolismo muito forte' na eleição pela prefeitura paulistana

Yan Boechat e Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

Passava das cinco horas da tarde deste domingo quando clima de apreensão que tomava conta dos saguões do Hotel Pestana, na região dos Jardins, começou a se transformar em euforia. Com as pesquisas de boca de urna apontando que Fernando Haddad se encaminhava para disputar o segundo turno das eleições para a prefeitura de São Paulo, dirigentes partidários, correligionários, ministros de Estado e toda a gama de grão duques petistas começou a respirar mais aliviada.

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Urnas: Serra e Haddad vão disputar segundo turno da eleição em São Paulo

Nascida e imposta pelo desejo e pelas convicções pessoais do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, a candidatura de Haddad sempre foi vista pelo partido como aposta de alto risco. Por isso, quando finalmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que Haddad havia ficado atrás apenas do candidato do PSDB, José Serra, os saguões do Pestana por pouco não se transformaram em algo muito parecido com sede de um clube que acabara de vencer um difícil campeonato.

Haddad perdeu de Serra no primeiro turno por pouco mais de 100 mil votos. A diferença, ínfima perto de um total de 7 milhões de votos que foram computados neste domingo, amplificou ainda mais o clima de euforia que tomou conta do hotel usado pelo candidato petista e por sua equipe para acompanhar a apuração. Mostrava que não só Haddad havia superado o incomodo anonimato junto ao eleitor paulistano, assim como deixava claro também que a disputa com o ex-prefeito e o ex-governador de São Paulo José Serra estava em aberto.

Divulgação
Lula e Dilma entraram em campo na eleição paulistana, mostrando 'simbolismo' da capital na estratégia do partido

Para quem não conseguia chegar a nem 10% das intenções de voto no dia em que teve início da propaganda política eleitoral de radio e televisão, no dia 21 de agosto, o segundo lugar com 29% dos votos válidos foi, de fato, uma vitória. “Independentemente das outras vitórias que o PT teve no País, aqui era a principal eleição, porque aqui tem o peso do presidente Lula e o nosso principal adversário. O simbolismo é muito forte”, afirmava o presidente do PT, Rui Falcão, no saguão principal do Hotel Pestana ainda no início da noite de domingo.

O simbolismo da conquista de uma vaga ao segundo turno em São Paulo ganhou força diante da preocupação que chegou a tomar conta do partido em alguns momentos da campanha.  Lula, a presidenta Dilma Rousseff e a direção nacional do partido colocaram toda a energia possível nessa reta final para assegurar o resultado final nas urnas.

Nos últimos dias, Lula intensificou sua participação no corpo a corpo com os eleitores paulistanos e Dilma, que prometera não se envolver diretamente na campanha, deixou o Planalto para pousar em um comício de Haddad no bairro de Guaianazes, na zona leste de São Paulo. Também foi a Belo Horizonte, na tentativa de fazer com que o ex-ministro Patrus Ananias conseguisse, ao menos, ir ao segundo turno contra o prefeito, agora reeleito, Márcio Lacerda.

A derrota de Patrus, de certa forma, foi ofuscada pela conquista da vaga para o segundo turno em São Paulo. O bom resultado obtido por Haddad também serviu para ofuscar, ainda que de forma temporária, os fracassos colecionados pelo PT em capitais importantes, como em Recife, onde Humberto Costa nem chegou ao segundo turno, e em Porto Alegre, onde o candidato petista terminou em terceiro.

O PT, sozinho, conquistou apenas uma capital nesse primeiro turno: Goiânia, com Paulo Garcia, que foi reeleito. Conseguiu ainda levar outros seis candidatos para o segundo turno em Fortaleza, Salvador, Cuiabá, João Pessoa, Rio Branco e São Paulo. 

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São Paulo, por isso, se tornou tão importante para o PT e Lula neste ano. É claro que a capital paulista por seu tamanho, sua força econômica e, principalmente, seu protagonismo político, sempre é vista como uma espécie de joia da coroa em qualquer eleição, seja ela municipal, seja estadual ou federal. Mas dessa vez, com o ainda aliado PSB dando mostras que ganhou musculatura o suficiente para caminhar sozinho em 2014, e com Lula se expondo uma vez mais com um candidato desconhecido, São Paulo ganhou ainda mais importância, ganhou uma cara de fim de campeonato.

Na sexta-feira, dois dias antes do início das votações, o presidente do diretório municipal do PT e coordenador da campanha de Fernando Haddad, Antônio Donato, já dava o tom do que significava para o partido o resultado de domingo. “Se aos 44 minutos do segundo tempo tem um pênalti e você marca o pênalti, você vence o campeonato”.

O campeonato, na verdade, acaba no dia 28 de outubro, quando acontece a votação do segundo turno das eleições municipais. Até lá, é claro, nada está ganho.

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