Em Salvador, DEM e PT se enfrentam pela primeira vez no segundo turno

Apos eleição acirrada, partidos começam a buscar apoio de eventuais aliados, como o PMDB

João Paulo Gondim , iG Bahia | - Atualizada às

Os candidatos e deputados federais  ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT), que lideraram as pesquisas na disputa pela Prefeitura de Salvador, vão disputar o segundo turno no dia 28 de outubro. ACM Neto, que esteve na frente da corrida eleitoral até meados de setembro e caiu para o segundo lugar nas últimas pesquisas, ficou muito pouco à frente na votação deste domingo com 40,17% dos votos válidos (total de 518.976 votos) ante 39,73% do petista, que somou 513.350 votos.

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ACM Neto vai para o segundo turno contra Nelson Pelegrino, em Salvador

No diretório do DEM, o clima foi de carnaval antecipado. ACM criticou o Ibope que, em pesquisa boca de urna neste domingo (6) apontou 43% para Pelegrino, contra 36% dele. No último sábado, o mesmo instituto cravou 43% para o petista, e 37% de ACM Neto.

"O Ibope errou feio. Apontou vitória [na boca de urna] do nosso adversário no primeiro turno, que não aconteceu. Isso dá mais entusiasmo. Vamos partir para o segundo turno com muita força, vamos ganhar essas eleições, é o que o povo de Salvador quer. Uma vitória transformadora na cidade. De manhã, na hora em que fui votar, eu disse à cidade: 'nós vamos ter uma surpresa'. E a surpresa se confirmou nas urnas", disse ACM Neto.

O candidato do DEM dise que vai reclamar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do que considera tratamento desigual por parte do Tribunal Regional Eleitoral do Estado da Bahia (TRE-BA). Ele e Pelegrino travaram uma guerra que ultrapassou o número de 40 liminares cedidas entre as duas partes. A propaganda do PT, entre outras coisas, exibiu vídeos que declaravam ser o DEM contra as cotas, além do discurso de ACM Neto, na Câmara, em 2005, no auge do mensalão, ameaçando surrar o então presidente Lula. Por sua vez, a munição do DEM incluiu críticas ao uso diário do helicóptero da PM que o governador Jaques Wagner (PT) se locomove de casa ao trabalho. De acordo com os seus opositores, há o gasto de R$ 5 mil por dia.

No comitê do PT, o clima era de resignação. Pelegrino disse que quem afirmou que ganharia no primeiro turno foi ACM Neto, e não ele. O petista reconheceu que as duas grandes paralisações deste ano, PMs e professores, desgastaram a sua campanha. "As greves causaram fissuras". Sobre o efeito do uso do mensalão contra a sua campanha, Pelegrino foi duro. "O PSDB e o DEM não têm autoridade para falar de corrupção. Todo mundo na Bahia sabe quem primou pela moralidade". Ele lembrou que em agosto estava com 13%, segundo as pesquisas, e terminou com cerca de 40%. Ele ainda se disse emocionado em disputar o segundo turno, fato inédito na sua carreira política. 

Para reverter o quadro, Pelegrino aposta suas fichas em uma eventual presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, em seu palanque, assim com o ex-presidente Lula o visitou no último 14 de setembro. Já ACM Neto espera que a igualdade no tempo de propaganda política o favoreça. Por ter 15 partidos na sua chapa, Pelegrino teve mais de 13 minutos no horário eleitoral, contra cerca de seis do demista, cuja coligação tem cinco agremiações. Agora, no segundo turno, ambos terão dez minutos em cada programa.

PT x DEM

Os soteropolitanos vivem um momento histórico. Esta é a primeira vez que PT e carlismo, ainda que renovado, vão juntos ao segundo turno na capital baiana. A única vez em que o Partido dos Trabalhadores passou para a segunda etapa, em 2008, o vencedor foi João Henrique Carneiro (PP), então no PMDB.

Há quatro anos, as pesquisas erraram ao apontar no segundo turno ACM Neto e o hoje deputado federal Antônio Imbassahy, do PSDB. Quando estava no PFL, antiga roupagem do DEM, Imbassahy governou Salvador por duas gestões seguidas (1997-2000 e 2001-2004). Dois anos antes, os institutos também falharam ao mostrar a reeleição do então governador Paulo Souto (PFL) logo na primeira fase. Ele perdeu no primeiro turno para Wagner.

Em 2008 já havia o discurso extremamente utilizado nos 45 dias de campanha de Pelegrino: o alinhamento dos governos federal (Lula), estadual (Wagner) e municipal. Hoje, só mudaram os nomes dos presidentes - antes, Lula; agora, Dilma e do prefeiturável, trocou-se Pinheiro por Pelegrino. 

Apontado como a terceira via, até por ter sido duas vezes prefeito (1979-1981 e 1986-1988), Mário Kertész (9,43% este ano) pode ser o fiel da balança no segundo turno. O apoio do PMDB, cuja seção baiana é dominada pelos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima, que há quatro foram os principais responsáveis pela eleição e João Henrique. De acordo com a equipe do DEM, os irmãos Vieira Lima estão inclinados a apoiarem ACM Neto. No entanto, Kertész, nos últimos debates, disparou a sua metralhadora giratória contra o demista.

O PRB, do deputado federal Márcio Marinho (6,51% dos votos) vai ser procurado pelo DEM e pelo PT, no entanto a sigla pertence às bases governistas estadual e federal, assim como o PRTB, de Rogério Tadeu da Luz (1,56%). O PSOL, de Hamilton Assim, por sua vez, deve adotar a neutralidade.

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