Milionário e dono de carros de luxo, prefeito de Palmas fez fortuna no Brasil

Dono de shoppings centers, Carlos Amastha nasceu na Colômbia e vive no País desde os 22 anos; desempenho na campanha chamou atenção de caciques do PP como Paulo Maluf

Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

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Carlos Amastha (PP) é eleito prefeito de Palmas

Não é apenas em São Paulo que o substantivo ‘eleitor’ foi substituído nestas eleições pelo adjetivo ‘consumidor’. Em Palmas (TO), o empresário colombiano Carlos Franco Amastha (PP) surpreende e é o primeiro estrangeiro eleito prefeito para comandar uma capital. Nascido na portuária Barranquilla, cidade ao norte da Colômbia famosa pelo carnaval, e há 30 anos no Brasil, Amastha é empreendedor do ramo de shopping center.

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O novo prefeito era o azarão no início da disputa quando aparecia com 1% das intenções de voto e sua ascensão refletiu a habilidade em usar o horário eleitoral para emplacar o discurso de que o morador de Palmas será “atendido como cliente” pelos funcionários da prefeitura (veja o vídeo abaixo) . Para isso, promete implantar um esquema de metas e tarefas para premiar os servidores por “meritocracia”.

Para o cientista político Humberto Dantas, professor do Insper, o discurso com tom empresarial ganha espaço com a chegada do eleitor a um nível de renda mais elevado. “As campanhas começam a ter um tom individualista. As pessoas passam a acreditar que os princípios da cidadania têm de ser adquiridos, como um carro, a escola particular, o plano de saúde. Esse tipo de discurso tende a agradar a necessidade do consumidor”, avalia.

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Veja vídeo da campanha

Filho de um médico comunista, o portunhol carregado do colombiano radicado no Brasil desde os 22 anos, hoje tem 51 (12 deles em Palmas), é atacado pelos concorrentes, surpresos com o desempenho do candidato do PP – em parte creditado à ex-equipe de publicidade que coordenou a campanha vitoriosa do governador Siqueira Campos (PSDB-TO), em 2010.

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O marketing emplacou um estilo de candidato do povo em Amastha, que sempre aparece na televisão vestindo camisa xadrez – longe da imagem do empresário milionário dono de três shoppings e uma Maserati Quattroporte preta avaliada em R$ 660 mil.

Pé de valsa, durante os showmícios, ele cai no funk e tira eleitoras para dançar forró. Após ganhar apoio de representantes do movimento hip hop palmense, aproveitou para treinar alguns passos – devidamente registrados e divulgados por seus marqueteiros.

Sem padrinhos políticos locais, a campanha do colombiano recebeu a adesão de partidos sem candidatura própria na reta final das eleições. Caso do PDT de Tocantins.

No PP, a ascensão de Amastha chamou atenção dos novos caciques do partido de Paulo Maluf. O colombiano ganhou apoio do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que desembarcou em Palmas para gravar vídeo para a campanha. 

O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) também foi à capital tocantinense oferecer apoio ao colombiano e se comprometendo a ser representante de Palmas no Senado.

Xenofobia bíblica
Nem mesmo o apelo bíblico do opositor Marcelo Lelis (PV), indicando aos eleitores um trecho da bíblia no qual alerta que “o povo não deve colocar um estrangeiro” como governante, impediu a escalada de Amastha. O colombiano acusou os opositores de xenofobia (aversão a estrangeiros).

Lelis caiu de 47% para 30% em menos de duas semanas, segundo o Ibope. Em 30 de agosto, Amastha assumiu o segundo lugar com 26%, superando a petista Luana Ribeiro (16%) e o então líder Lelis (36%). Nada mal para quem, em 11 de agosto, ocupava em terceiro lugar com 12% das intenções – atrás da candidata do PT (16%) e do verde Lelis (47%).

Candidato da coligação “Um novo caminho é possível”, ao lado de PPS e PC do B, Amastha se beneficiou do enfraquecimento dos padrinhos políticos dos concorrentes. Luana, do PT, é filha do senador João Ribeiro (PR), que sofreu com a exposição do atual prefeito Raul Filho, flagrado em vídeo com o bicheiro Carlinhos Cachoeira . Em menos de um mês, a petista perdeu nove pontos percentuais no Ibope.

Já Lelis, apoiado pelo governador Campos, sentiu o impacto da má avaliação do governo tucano no Estado. O candidato do PV detinha o maior tempo na televisão, com 12’30 minutos – contra 7’35 de Luana e 3’50 minutos de Amastha.

Quarto mais rico
À frente da Skipto, incorporadora de shoppings e de tecnologia da qual é presidente e sócio, o empresário de 51 anos figurava com quarto mais rico prefeiturável do País. Perdia apenas para o empresário do ramo de metalurgia Mauro Mendes (PSB), postulante em Cuiabá (MT), o mineiro Marcio Lacerda (PSB-MG), em Belo Horizonte, e o tucano Reinaldo Azambuja, em Campo Grande (MS).

Amastha declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) R$ 18,15 milhões, sendo maior parte (R$ 11 milhões) oriunda do ramo de shopping. O TSE o autoriza a gastar até R$ 5 milhões na campanha. A prestação de contas mostra que ele utilizou R$ 300 mil de recursos próprios até 2 de agosto. Segundo a declaração, o candidato-empresário mantém R$ 2 milhões em espécie à mão.

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Amastha é o quarto candidato a prefeito mais rico dessas eleições no País. Na garagem, ele guarda uma Maserati Quattroporte avaliada em R$ 660 mil

A empresa de Amastha controla o Capim Dourado Shopping na capital tocantinense, onde constrói uma segunda unidade. A Skipto também possui uma unidade em Florianópolis, onde o empresário foi arrolado em investigação da Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, em 2007.

A empresa teria atuado junto a vereadores da capital catarinense para obter licença ambiental para o Floripa Shopping. Em declarações à PF, Amastha confirmou apenas ter ajudado financeiramente a campanha do prefeito Dário Berger (PMDB) e o deputado estadual Afrânio Broppé (PSOL). Procurado pelo iG , o candidato negou entrevista por falta de agenda.

O colombiano mudou-se para o Brasil aos 22 anos, convidado por uma multinacional argentina para vender cursos de inglês. Foi assim que chegou à Curitiba, onde se casou com a paranaense Glô, com quem teve três filhos.

A fortuna começou em 1999, quando se transferiu para Palmas como sócio de um projeto de educação à distância em parceria com Luiz Carlos Borges da Silveira, ex-ministro da Saúde. Em 2007, entrou no ramo de shopping com o Capim Dourado e começou a ganhar notoriedade na capital tocantinense. Ganhou projeção política em 2011, após articular a derrota do Plano Diretor proposto pelo atual prefeito, Raul Filho (PT).

A fortuna do colombiano é quase 3,5 vezes maior que a soma de todos os bens declarados por seus concorrentes, algo perto de R$ 5,3 milhões. A riqueza de Amastha é dez vezes maior que o R$ 1,8 milhão de Lelis. O terceiro candidato mais rico na disputa por Palmas é Fábio Ribeiro (PT do B), com R$ 1,5 milhão.

Em seguida estava o postulante do PRP, Dr. Luciano R$ 1 milhão, a petista Luana (R$ 727,7 mil), o candidato do PSDC, Professor Adail (R$ 269,2 mil) e, em último lugar, o administrador de empresas do PSOL, Abelardo Carneiro (RS 10 mil).

Eles disputaram o voto de pouco mais de 150 mil eleitores na capital do Estado cuja renda per capita é de R$ 642, conforme dados de 2010 levantados pelo IBGE.

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