Em São Paulo, empate triplo embola a disputa na maior cidade do País

Celso Russomanno (PRB), José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) terminam primeira fase da campanha embolados nas pesquisas eleitorais

iG São Paulo |

Os eleitores da maior cidade do País vão às urnas neste domingo (7)  sem uma previsão sobre quais dos três candidatos com melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto -  Celso Russomanno (PRB), José Serra (PSDB) ou Fernando Haddad (PT) - vão para o segundo turno. O candidato do PRB, que chegou a figurar 17 pontos à frente de Serra  e 23 pontos à frente de Haddad em levantamentos anteriores, chega à eleição empatado com os dois adversários. 

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Levantamento Ibope divulgado no início da noite de ontem mostra Russomanno, Serra e Haddad todos com 22% das intenções de voto. O levantamento do Datafolha divulgado logo antes trouxe empate técnico entre os três candidatos - Serra com 28%, Russomanno, 27%, e Haddad, 24%. 

Agência Estado
Celso Russomanno (PRB) faz campanha na Expo Music

Mesmo tendo desidratado na reta final, a candidatura de Russomanno surpreendeu tanto os adversários quanto especialistas. De um partido pequeno, o PRB, e contra as máquinas estadual - do PSDB - e federal - do PT -, o candidato se valeu de ser um velho conhecido do eleitorado, menos por sua trajetória política e mais pelos seus programas na televisão. Antigo repórter do policialesco Aqui e Agora , nos anos 1990, pouco antes do início da campanha, Russomanno apresentava um quadro no Balanço Geral, da TV Record , em que defendia os consumidores lesados por empresas em suas compras.

Outra característica de Russomanno que foi bastante explorada no período eleitoral é a ligação dos líderes de seu partido com a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), cujo principal nome, Edir Macedo, é proprietário da Rede Record. A ação de Russomanno para se descolar da Iurd e a estratégia de Serra de atrair religiosos em torno de sua candidatura  fizeram com que os dois candidatos realizassem um périplo em templos diversos para buscar apoio em forma de bênçãos de padres e bispos.

O intenso debate religioso tomou corpo na eleição e lembrou aquele ocorrido em 2010, durante a disputa pela Presidência entre José Serra e Dilma Rousseff (PT). Tal tema no pleito ganhou mais força quando D. Odilo Scherer, da Cúria Metropolitana, publicou uma nota de repúdio a uma publicação do blog de Marcos Pereira , coordenador da campanha do candidato do PRB e bispo licenciado da Universal.

Futura Press
José Serra participa de debate na TV Gazeta

No texto, Pereira responsabilizava a Igreja Católica indiretamente pela distribuição em escolas brasileiras do chamado "kit gay" - material didático de combate à homofobia elaborado quando Haddad era ministro da Educação. Diante das diversas críticas dos adversários, Russomanno, que antes havia dito que  seria bom São Paulo ter uma igreja por quarteirão , passou a afirmar que "religião é religião e política é política".

Críticas e ataques

Líder isolado nas pesquisas durante boa parte da campanha, Russomanno contrariou análises de especialistas que esperavam sua desidratação já com o início do horário eleitoral gratuito, em 21 de agosto. Apesar da desvantagem no tempo de propaganda, o candidato garantiu segurança para sua campanha e adotou uma estratégia de poucos ataques aos seus adversários.

Haddad e Serra, por sua vez, trocaram críticas em seus eventos de campanha e nas suas inserções na televisão. A campanha petista ligou Serra ao atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD) - aliado do tucano e dono de uma impopularidade histórica -, enquanto Serra associou seu adversário ao mensalão, cujo julgamento está em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) .

De um lado, sobraram críticas à gestão atual que, segundo a campanha petista, não priorizou o diálogo com o governo federal, deixando de promover melhorias na cidade. De outro, acusações de que o governo Dilma usou a máquina da União em favor do candidato em São Paulo, ao tornar a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ministra da Cultura, em troca da sua participação na campanha.

Russomanno também não ficou livre de críticas dos adversários, que o apontaram como inexperiente em cargos executivos, uma "aventura", chegando a comparar sua candidatura à do ex-prefeito Celso Pitta, que também era desconhecido da população.

Campanha virtual x Campanha real

Em comparação a 2008, a campanha de 2012 teve menos eventos públicos de contato físico com os eleitores. Predominou o uso do rádio, da televisão e da internet, com propagandas controladas pelos marqueteiros das campanhas. Até mesmo os debates televisivos foram reduzidos no pleito deste ano.

Divulgação
Colado em Lula, Fernando Haddad realiza comício

A Record e a Globo cancelaram a realização dos embates entre os postulantes ao cargo. Os oito principais candidatos - Russomanno, Serra, Haddad, Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB), Paulinho da Força (PDT), Carlos Gianazzi (PSOL) e Levy Fidelix (PRTB) - tiveram apenas três encontros deste tipo, nos quais os favoritos na corrida, na maioria das vezes, evitavam o confronto direto.

Nas redes sociais, entretanto, os momentos curiosos da campanha repercutiram velozmente. O beijo de uma eleitora em Serra e a perda de seu sapato na batida de um pênalti , logo viraram hits no Twitter e no Facebook. O vídeo de Russomanno em seus tempos de repórter nos anos 1990 e sua entrevista ao programa SPTV , da TV Globo, logo foram replicadas por diversos perfis na web.

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