Em Manaus, Arthur Virgílio e Vanessa Grazziotin reeditam disputa de 2010

Há dois anos, tucano e comunista disputaram uma das vagas no Senado

iG São Paulo |

Manaus é palco de uma das disputas mais acirradas do Brasil nas eleições municipais de 2012. Neste domingo (7), os eleitores da capital do Amazonas vão às urnas divididos entre os mesmos candidatos que protagonizaram, há dois anos, uma intensa batalha eleitoral por uma das vagas do Estado no Senado: Arthur Virgílio (PSDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB). Em 2010, a comunista levou a melhor e se elegeu senadora como a segunda mais votada, atrás apenas do ex-governador Eduardo Braga (PMDB). O tucano terminou na terceira colocação, sem a vaga no Senado.

Leia mais: Em Manaus, Lula ataca seu desafeto Arthur Virgílio

De acordo com pesquisa do Ibope divulgada na sexta-feira (5), Virgílio e Grazziotin aparecem tecnicamente empatados - o tucano tem 31%, e a comunista, 29% das intenções de voto, praticamente garantidos no segundo turno. Henrique Oliveira (PR) tem 12%, seguido por Serafim Corrêa (PSB), com 10%, e Sabino Castelo Branco (PTB), com 6%. Pauderney Avelino (DEM) aparece com 2% das menções, enquanto Herbert Amazonas (PSTU) e Luiz Navarro (PCB) têm 1% cada. Brancos ou nulos somam 3%, e 5% não sabem ou não responderam. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Considerando apenas os votos válidos, sem os brancos e nulos, Arthur Virgílio tem 33%, e Vanessa, 31%. 

Brasil Econômico: 'Arthur Virgílio nunca respeitou o governo', diz Grazziotin

Agência Senado
Desafeto de Lula, o ex-senador Arthur Virgílio adotou o nome Arthur Neto na campanha e prometeu parceria com o governo federal

Um dos mais ferrenhos opositores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante os oito anos de governo do petista, o candidato do PSDB agora promete trabalhar em conjunto com a presidenta Dilma Rousseff e fazer parcerias com a administração federal. 

Do outro lado da disputa, Vanessa Grazziotin conta com o apoio de Lula e Eduardo Braga. O ex-presidente, que acusa Arthur Virgílio de ter ameaçado lhe dar "uma surra”, em pronunciamento no Senado, subiu ao palanque da candidata do PCdoB e não poupou seu adversário de críticas .

“Eu daria um jeito de lhe apoiar, sabendo que seu adversário é quem é. Agora eu entendo por que ele quis me bater naquela época. É porque já tinha batido em camelôs aqui em Manaus”, afirmou o ex-presidente ao falar sobre o tucano e um episódio ocorrido durante sua gestão como prefeito de Manaus (1989-1992), quando vendedores ambulantes foram retirados do centro da cidade após confrontos com a polícia. “Esse senhor não gosta de pobre e não suporta cheiro de pobre.”

Ovo ou cuspe?

A disputa entre Arthur Virgílio e Vanessa Grazziotin ficou mais acirrada no dia 11 de setembro, quando a candidata do PCdoB se transformou em personagem da maior polêmica campanha até agora. Na chegada a um debate na televisão, Vanessa disse ter sido atingida por um ovo. Horas depois, foram divulgadas fotos que, em sequência, uma após a outra, colocavam em dúvida a versão de Vanessa de que um ovo teria a atingido. O candidato tucano acusou a adversária de montar uma “farsa”. “Fica claro que houve uma armação por parte da candidata e de suas equipes de marketing e jurídica”, disse Virgílio. A esta altura, vários colegas de Vanessa no Senado já haviam se manifestado em solidariedade à candidata, repudiando a suposta agressão com ovo.

Especial iG: Leia todas as notícias sobre as eleições 2012

Agência Senado
A senadora Vanessa Grazziotin foi pivô de polêmica na eleição: atingida por uma cusparada, ela disse que foi alvo de um ovo

Após a repercussão negativa do episódio, com a divulgação das imagens e o questionamento dos adversários, a candidata do PC do B mudou o discurso: “Não sei se foi ovada ou cuspe, mas foi uma agressão”, afirmou. “Eu não vou admitir mais agressões. Fui agredida duas vezes, e a segunda vez foi pelos jornais, que estão dizendo que tudo foi uma farsa.” Para encerrar o assunto, o coordenador da campanha do PC do B, Antônio Levino, convocou a imprensa no dia 14 de setembro e negou que a candidata do partido tenha tentado ludibriar o eleitorado e a opinião pública.

“De forma alguma foi um ovo, mas um escarro. Tanto que logo após o debate o ato estava registrado no boletim de ocorrência como uma cusparada. Essa questão do ovo virou mais uma sensação de mídia do que fato propriamente dito”, afirmou. 

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG