Em disputa acirrada, PT e DEM polarizam corrida pela Prefeitura de Salvador

Carlismo repaginado de ACM Neto rivaliza com o que petistas descrevem como 'time de Lula' na briga pela administração municipal

iG Bahia |

A disputa pela Prefeitura de Salvador chega às urnas neste domingo com a expectativa de um segundo turno entre os deputados federais Nélson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM). De acordo com pesquisa Ibope divulgada na noite de ontem, Pelegrino aparece com 43% das intenções de voto, contra 37% do deputado do DEM. 

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O crescimento de Pelegrino foi apoiado principalmente no discurso de que o deputado pertence ao "time de Lula". Ele repete como um mantra a importância do eventual alinhamento entre as três esferas de poder: federal, com a petista Dilma Rousseff; estadual, já que o governador baiano, Jaques Wagner, também é do PT; e municipal. Nunca a Prefeitura de Salvador esteve sob o comando do PT. Pelegrino, que já trouxe o ex-presidente Lula para um comício, em meados de setembro, espera a visita da presidenta Dilma no provável segundo turno.

Raul Spinass/Agência A Tarde/AE
ACM Neto investiu em carlismo repaginado e críticas a rival do PT

Outro trunfo é seu extenso tempo de programa eleitoral: 13 minutos. Tal duração é fruto da coligação de 15 partidos que sustenta a sua candidatura. São tantas siglas que Wagner, o principal articulador dessa aliança, foi incapaz de citar todas. Durante a campanha, o PT colou em ACM Neto o nome do impopular prefeito João Henrique Carneiro. De acordo com a última pesquisa do Ibope, 75% da população soteropolitana acha ruim ou péssima a gestão de João Henrique.

A campanha petista exibiu um vídeo no qual ACM Neto aparece afirmando "eu digo sim a João", durante a campanha de 2008. Propagandas mostrando a ação do DEM no Supremo Tribunal Federal (STF) contra as cotas no ensino suerior também foram exibidas. Outra tática usada por Pelegrino foi exibir o discurso de ACM Neto no qual, durante o auge das denúncias do mensalão, em 2005, disse ser capaz de dar uma "surra" no então presidente Lula.

ACM Neto começou bem a campanha aproveitando-se de duas greves ocorridas em 2012 no Estado, a dos PMs e dos professores da rede pública - esta última durou 115 dias. No entanto, com o passar do tempo, esse apelo se enfraqueceu.

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Embora se apresente como candidato da renovação, ele lembrou no decorrer da campanha os tempos de seu avô, numa comparação com a administração do PT na Bahia. Nas últimas semanas, o candidato do DEM vem adotando um discurso mais duro. Nos últimos dias, passou a investir na afirmação de que o governador faz uso de um helicóptero da PM para ir do Palácio de Ondina, residência oficial, ao Centro Administrativo da Bahia. ACM Neto diz haver um gasto diário de mais de R$ 5 mil e ironiza ao afirmar que a única realização de Wagner para resolver o problema da mobilidade urbana é andar na aeronave.

ACM Neto também procurou associar o escândalo do mensalão aos candidatos do PT. Essa propaganda e as das cotas, da surra e do "sim a João" renderam guerra de liminares favorecendo os dois lados. Por fim, ACM Neto, que espera a igualdade de tempo na propaganda do segundo turno - os dois candidatos que chegarem até lá vão ter dez minutos, cada um - nega ser imprescindível serem do mesmo partido presidente, governador e prefeito. Em um debate, chegou a parafrasear Lula na eleição presidencial de 2002: "A esperança vai vencer o medo", disse o demista.

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