O milionário Mauro Mendes (PSB) era favorito na capital do Mato Grosso, mas Lúdio Cabral (PT) arranca na cidade que ganha peso no jogo político do pernambucano Eduardo Campos

As eleições em Cuiabá (MT) passam por situação diferente do pleito em Recife (PE), duas cidades em que PT e PSB, aliados na esfera nacional, se enfrentam nas urnas neste domingo. Se no Recife o candidato do PT,  Humberto Costa, foi ultrapassado por Geraldo Júlio (PSB), na capital mato-grossense, o PT de Lúdio Cabral avança e deve disputar um segundo turno contra Mauro Mendes (PSB), o candidato mais rico das eleições de 2012.

Pesquisa do Ibope, divulgada neste sábado, mostrou Cabral com 48% dos votos válidos, pontuando à frente de Mendes (40%) na preferência de 800 eleitores ouvidos em 226 bairros da cidade. Embora os números configurem empate técnico, é a primeira vez que o PT ultrapassa numericamente o PSB.

Empresário do ramo de metalurgia e dono de uma fortuna declarada de R$ 116,9 milhões, Mendes era o favorito até então em todas as pesquisas. Ele chegou a liderar com 48%, mas perdeu fôlego em meio ao fogo cruzado travado com Guilherme Maluf (PSDB), que passou de segundo para terceiro colocado com 5%. O tucano dificilmente encostará nos líderes, mesmo ante a margem de erro da pesquisa oscilar em de quatro pontos para cima ou para baixo.

Acompanhe a cobertura completa das eleições 2012

O candidato à Prefeitura de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB)
Divulgação/Facebook
O candidato à Prefeitura de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB)

A posição inicial de vantagem de Mendes alimentou a expectativa de vitória ainda no primeiro turno. A projeção colocou a capital mato-grossense no mapa político do presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos , que incluiu Cuiabá no mapa de vitórias projetadas pelo PSB, ao lado de cidades como Recife e Belo Horizonte, nesta última onde o partido lidera com o candidato à reeleição Márcio Lacerda.

Nas contas de Campos, essas capitais são estratégicas para 2014, quando pode se lançar à presidência da República caso tenha uma base estatual consistente. O PSB controlava quatro capitais, mas perdeu João Pessoa (PB) após a direção nacional do partido de desautorizar Luciano Agra a disputar a reeleição. Agra saiu do PSB e apoia Luciano Cartaxo (PT), favorito para vencer na capital paraibana.

Além de João Pessoa, o PSB ficará sem Boa Vista. O atual prefeito da capital de Roraima, Iradilson Sampaio, está no segundo mandato consecutivo e apoia Mecias de Jesus (PRB), que na última pesquisa Ibope apareceu com 23% das intenções de voto – bem atrás dos 53% de Teresa Jucá (PMDB).

2º turno esperado

O candidato à Prefeitura de Cuiabá, Lúdio Cabral (PT)
Divulgação/Facebook
O candidato à Prefeitura de Cuiabá, Lúdio Cabral (PT)

Mauro Mendes, de 48 anos, é apoiado pelo ex-governador e hoje senador pelo Estado do Centro-Oeste Blairo Maggi (PR). Radicado em Cuiabá desde os 16 anos, o candidato do PSB nasceu em Anápolis (GO) e se formou em engenharia elétrica na Universidade Federal do Mato Grosso. Logo depois, criou a Belmetal – metalúrgica fabricante de torres de telecomunicações.

Em 2008, o pessebista concorreu à Prefeitura de Cuiabá. Ficou em terceiro lugar. Mendes disputou o governo do estado em 2010, ficando em segundo lugar. Na ocasião, chegou a ameaçar recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral para que houvesse segundo turno no Mato Grosso. Com 31,97% dos votos válidos, acabou perdendo para o atual governador, Silval Barbosa (PMDB), que obteve 51,09%.

Silval é hoje o principal cabo eleitoral de Lúdio Cabral, de 41 anos. O petista disparou nas pesquisas eleitorais beneficiado pelo embate entre PSB e PSDB. Médico com quase duas décadas no serviço público municipal, ele emplacou a imagem de aliado de causas sociais. Cabral está no segundo mandato na Câmara Municipal, onde conseguiu aprovar o primeiro projeto de lei popular de Cuiabá para suspender aumento no IPTU.

O segundo turno pleiteado por Mendes em 2010 está projetado para ocorrer em menor escala na capital mato-grossense, onde votam 368 mil eleitores no próximo domingo.

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