Em Belo Horizonte, disputa entre PT e PSB vira ensaio para a corrida de 2014

Líder isolado nas pesquisas até a última semana antes da eleição, Marcio Lacerda chega às urnas sob risco de segundo turno contra o petista Patrus Ananias

iG São Paulo |

A disputa em Belo Horizonte, que prometia a reeleição certa do atual prefeito Marcio Lacerda (PSB) já em primeiro turno, chega neste domingo (7) com a possibilidade de uma segunda disputa entre o candidato do PSB e o petista Patrus Ananias . Com o rompimento da aliança entre PT e PSB, a eleição na capital mineira foi nacionalizada do início ao fim, contando com as participações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff (PT) de um lado e do senador tucano Aécio Neves de outro - um laboratório do que pode se desenhar para o embate presidencial em 2014.

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Segundo pesquisa Datafolha , Lacerda aparece com 50% dos votos válidos, contra 43% de Patrus Ananias. Devido à margem de erro de dois pontos percentuais, esse valor não garante a vitória de Lacerda no primeiro turno. Por outro lado, o Ibope já dá a vitória de Lacerda: 55% dos votos válidos, contra 40% de Patrus.

Lacerda, que se elegeu prefeito em 2008 com uma chapa que reunia PT, PSDB e PSB, não conseguiu repetir a coligação neste pleito. O PT rompeu com o PSB em junho depois que o partido, que compõe a base aliada do governo Dilma, decidiu não fazer coligação proporcional na capital, atendendo aos interesses dos tucanos. Diante do quadro e com marcada interferência da presidenta, o PT reagiu, colocando Patrus na disputa para enfrentar o antigo aliado.

LEO FONTES/O TEMPO/AE
Por Lacerda, Aécio Neves faz corpo a corpo nas ruas de Belo Horizonte

A partir daí, o PT teve o problema de fazer a campanha em um tempo menor e com a dificuldade em criticar o rival - cuja gestão o partido integrava. Patrus também precisou enfrentar um padrinho de peso de Lacerda: Aécio Neves, detentor de popularidade no Estado e um dos patrocinadores da aliança que colocou PT e PSDB do mesmo lado quatro anos atrás.

Patrus intensificou a participação de Lula e Dilma na propaganda de TV , contando com a presença física de ambos em apenas duas ocasiões - o ex-presidente participou de um comício no início de setembro e a presidenta, na última semana de campanha, desembarcou em Belo Horizonte na tentativa de emplacar um segundo turno na capital mineira. Patrus cresceu sete pontos em menos de um mês, segundo pesquisa Datafolha. De acordo com o Ibope, Patrus, no mesmo período, foi de cinco pontos, para depois cair dois. 

Guerra de vídeos

As campanhas de Lacerda e Patrus reuniram, durante o período de campanha, vídeos prejudiciais ao respectivo adversário e fizeram ameaças de usá-los durante a campanha. O PSB estava em posse de um vídeo em que Dilma disse, em meados de junho, que Lacerda era "um dos melhores prefeitos do Brasil".

O PT tentou impedir a exibição das imagens na Justiça, mas o pedido foi indeferido. Lacerda e sua campanha chegaram a afirmar que eles não pretendiam usar as imagens, porém nunca descartaram sua veiculação. No dia seguinte à participação da presidenta no comício de apoio a Patrus, a campanha de Lacerda exibiu as imagens em sua propaganda eleitoral na quinta.

Além disso, circulou na internet um outro vídeo em que Délio Malheiros (PV), vice de Lacerda, criticava o atual prefeito em entrevista concedida cinco dias antes de sua entrada na chapa.

Na ocasião, antes do rompimento entre PT e PSB, Malheiros, Leonardo Quintão (PMDB) e Eros Biondini tinham feito um pacto de não-agressão para tentar levar a disputa para um segundo turno. "Eu estarei com quem estiver contra o Lacerda", diz Malheiros nas imagens.

Aécio Neves X Lula e Dilma

A campanha na capital mineira foi marcada por duros ataques vindos não dos candidatos, mas principalmente dos seus padrinhos: de um lado Lula e Dilma e, do outro, Aécio Neves, antecipando um cenário que pode se replicar na disputa presidencial em 2014. No comício realizado dia 1º de setembro , o ex-presidente investiu contra o senador tucano e o PSB mineiro.

Divulgação/Facebook
A presidenta Dilma Rousseff participa de comício ao lado do candidato Patrus Ananias (PT), em Belo Horizonte

"Eles acharam que nós estávamos derrotados. Não quiseram aliança. Faz parte da cabeça deles tentar destruir o PT. Mas o PT não é Lula, não é Dilma, não é Pimentel, não é Patrus. É cada um de vocês", disse. "Aqueles que o PT ajudou a chegar ao poder não querem mais ficar com o PT. O PT não vai ficar chorando", discursou. "É importante que eles saibam que não estariam no governo se não fôssemos nós."

Na última semana da campanha, a presidenta Dilma rebateu, sem citar o nome do senador mineiro , as críticas feitas por ele sobre a intervenção de "estrangeiros" na disputa eleitoral na capital mineira.

"Sou nascida e criada em Minas, e é com esse sangue mineiro que corre nas minhas veias que fui eleita e governo o Brasil. Se em algum momento saí de Minas é porque tive que sair para lutar contra a ditadura militar", disse a presidenta. "Não saí para passear, para ir à praia, mas para lutar por um país melhor", completou.

Por sua vez, Aécio Neves usou o julgamento do mensalão para criticar o partido de seu adversário durante atos de campanha em favor de Lacerda. "O PT tem um viés equivocado ao analisar a questão de investimentos, porque ele trata recursos públicos como se fossem seus. Dinheiro federal, dinheiro estadual, isso é menos importante, é dinheiro do povo, são impostos que todos nós aqui pagamos", disse.

Na briga em Belo Horizonte, sobrou até mesmo para o candidato petista em São Paulo, Fernando Haddad . Aécio disse não acreditar que o candidato petista na capital paulista "possa ser tão idiota como parece, às vezes". O tucano também disse ter sido "desastrosa" a gestão do petista no Ministério da Educação.

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