Reportagem do iG conversou com alguns eleitores que desistiram de votar no candidato do PRB; entre os motivos , estão a influência da Igreja Universal e a proposta do transporte

Após liderar grande parte da corrida pela Prefeitura de São Paulo, o candidato do PRB, Celso Russomanno , chega ao dia da eleição ameaçado de sequer participar do 2º turno . A reportagem do iG conversou com alguns eleitores que admitiram ter mudado o voto na reta final da campanha, abandonando Russomanno e escolhendo outro candidato em cima da hora. Entre os motivos apresentados para a mudança, foram citados a relação do PRB, partido do candidato, com a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), e algumas de suas propostas, principalmente a que estabelece tarifa diferenciada no transporte público.

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Ao votar acompanhado do filho, Russomanno atribuiu a queda nas pesquisas a mentiras de adversários
Futura Press
Ao votar acompanhado do filho, Russomanno atribuiu a queda nas pesquisas a mentiras de adversários

Em queda livre nas pesquisas nas últimas semanas de campanha, ele aparece com 27% dos votos válidos no último Datafolha , divulgado no sábado (6) – um ponto percentual atrás de José Serra (PSDB), que tem 28%, e três pontos à frente de Fernando Haddad (PT), com 24%. Levando em conta a margem de erro, os três estão tecnicamente empatados. Já de acordo com o Ibope, Russomanno está rigorosamente empatado com os dois principais adversários, todos com 26% dos votos válidos.

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O vigilante Rogério Alves, de 42 anos, por exemplo, disse que desistiu de votar em Russomanno “faz dois ou três dias”. “Eu estava pensando em votar nele, mas não gosto desse negócio de misturar religião com política. E não só a evangélica, mas qualquer religião”, afirmou. “Foi essa história com a Universal que pegou para mim.”

O motorista particular Sérgio Fernando, de 39 anos, também abandonou Russomanno poucos dias antes de ir à urna. “A gente começa a conhecer as pessoas quando elas começam a falar mais, quando a gente conversa com elas. E tem algumas coisas que ele falou que não me agradaram”, disse o eleitor, sem citar exatamente quais as propostas do candidato do PRB que lhe desapontaram. Ele também não citou em quem votou neste domingo.

Outro ex-eleitor de Russomanno é o pedreiro Aronildo Anjos Ferreira, de 47 anos. Mas, depois de desistir do voto no candidato do PRB, ele não optou por nenhum outro postulante à Prefeitura de São Paulo. “Eu ia votar nele (Russomanno), mas quando chegou na hora, votei em branco”, conta. “Era a única coisa que me deixaria tranquilo com a minha consciência.”

O eleitor tucano Waldemar Fornazari, de 84 anos, que votou em Serra e disse que sempre apoia os candidatos do PSDB, avalia que Russomanno perdeu muitos votos nas últimas semanas por conta das fortes críticas que recebeu do petista Haddad, graças à proposta de cobrar dos usuários de transporte público uma tarifa proporcional ao trecho percorrido. “Acho que o PT pegou essa questão da passagem do ônibus e bateu, bateu, bateu... Creio que (Russomanno) errou na estratégia dele. E também ficou muito vinculado à Igreja Universal”, diz.

Apesar das críticas à proposta de Russomanno para o transporte público, a empregada doméstica Maria José da Silva Gouvêia, de 43 anos, manteve o voto no candidato do PRB. Mas não soube explicar o porquê: “Na hora, deu um branco, e eu pensei: ‘é ele mesmo’”, afirmou. Já o eleitor Sinval, que não quis revelar o sobrenome, fez elogios a Russomanno, apesar de ter votado em Haddad. “Eu gosto dele, mas sou petista. Mas, se não tivesse o PT, votaria no Russomanno”, afirma. “Se o 2º turno for Russomanno contra Serra, eu voto no Russomanno.”

Ao votar, neste domingo, em um colégio da zona sul da cidade, o ex-líder isolado nas pesquisas atribuiu a queda aos “ataques” e às “mentiras” lançadas pelos concorrentes, mas fez questão de demonstrar otimismo em relação à sua presença no 2º turno do pleito. Para isso, o candidato do PRB terá de torcer para que a sangria de votos dos últimos dias de campanha seja estancada.

“A gente chegou até aqui porque a população gosta da gente, do nosso trabalho e das nossas propostas. Fizemos uma campanha sem esses ataques pessoais. Quando se faz uma campanha com ataques, se desrespeita os eleitores”, completou o candidato do PRB.

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