Com apenas um opositor forte, Eduardo Paes deve se reeleger no 1º turno no Rio

Prefeito liderou a disputa durante toda a campanha; entre seus adversários, só Marcelo Freixo subiu nas intenções de voto

Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro |

“Eu quero um Crivella para chamar de meu.” O desabafo de Marcelo Freixo, candidato do PSOL à Prefeitura do Rio, ao fim de um debate na TV, refletia seu desânimo após pesquisas que mostravam o principal adversário e candidato à reeleição, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), com maioria confortável dos votos válidos.

Eduardo Paes chega às vésperas da eleição com 57% das intenções de voto, ou 67% dos votos válidos, segundo o Ibope, contra 23% (27% dos válidos) de Freixo, 2% de Rodrigo Maia, 2% de Otávio Leite – ambos com 2% cada dos votos válidos –, 1% de Aspásia Camargo e 0% de Cyro Garcia.

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O que Freixo queria dizer é faltou um terceiro candidato forte, que pudesse provocar o segundo turno. Assim, o tira-teima se tornava mais distante no Rio à medida que os outros concorrentes – principalmente Rodrigo Maia (PFL), Otávio Leite (PSDB) e Aspásia Camargo (PV) – não cresciam nas pesquisas e, assim, a soma dos rivais de Paes não chegava à metade dos votos válidos.

Beth Santos/Divulgação
Nem mesmo denúncia de compra de apoio abalou o desempenho de Eduardo Paes; na foto, o prefeito visita o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas

Com seus cerca de 20% dos votos cativos, a presença do hoje ministro e senador licenciado Marcelo Crivella ou de outro candidato forte na corrida municipal poderia forçar o segundo turno. Sobrinho do fundador Edir Macedo, e bispo licenciado da Igreja Universal, Crivella levava os votos de boa parcela do segmento evangélico e pobre da capital e provocava uma disputa mais acirrada. Em 2008, ajudou Fernando Gabeira a levar a eleição para o segundo turno, quando perdeu para o candidato à reeleição Eduardo Paes. Em 2004, com 21,8%, quase disputou o desempate com o eleito Cesar Maia, que teve pouco mais da maioria, 50,1%.

Assim, mesmo tendo crescido durante toda a campanha – saindo de 8% para 18%, segundo o Ibope, entre 3 de agosto e 1º de outubro –, e contando com o apoio de artistas e de parte da classe média carioca, Freixo não deve conseguir levar neste domingo a disputa para o segundo turno, quando teria tempo igual de TV.

Antes de chegar aos 57% de intenções de votos medidos pelo Ibope, Eduardo Paes dominou a campanha desde o início. Saiu já com grande vantagem, com quase a metade das intenções de voto, 49%, em 3 de agosto. Nas quatro enquetes seguintes, oscilou para 47%, subiu para 52%, manteve-se e subiu, nesta última semana para 57%.

Os demais adversários, em sua primeira exposição em candidatura majoritária, só caíram. O deputado federal Rodrigo Maia, filho e herdeiro político do três vezes prefeito Cesar Maia, desceu de 5% em agosto para 2%, na semana final; Otavio Leite oscilou para baixo, de 3% para 2%, mesmo comportamento de Aspásia, que variou de 2% para 1%.

A se tomarem os 2% do Ibope, que podem crescer na reta final e no dia da eleição, Rodrigo Maia teria votação inferior à de Solange Amaral, candidata apoiada por seu pai em 2010, que teve 3,9%. A chapa que tem como vice Clarissa Garotinho, filha do casal de ex-governadores Anthony e Rosinha, pode ter herdado dos pais só a rejeição.

Os adversários tentaram de tudo para superar Eduardo Paes, sem sucesso. Com 20 partidos na coligação, uma campanha rica e bem estruturada profissionalmente, cerca de 17 minutos de tempo na TV (contra 13 minutos somados dos rivais) e muitas obras na rua, o prefeito em exercício teve poucas dificuldades para se manter no topo, disparado na frente dos adversários. Sua campanha na TV aproveitou do tempo para falar a todos os segmentos da sociedade, com programas feitos com competência. O discurso foi sempre moderado e de que ainda há muito “a fazer” e a melhorar, reconhecendo que “a vida ainda não melhorou para todo mundo”.

O prefeito que celebrou em seu primeiro ano a escolha do Rio como cidade-sede das Olimpíadas de 2016 soube capitalizar a conquista e a onda positiva da cidade e do Estado e atrair investimentos para a cidade. Buscou estabelecer uma imagem de prefeito jovem e moderno, focado em gestão, metas e planejamento.

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O “Choque de Ordem”, no âmbito de organização da cidade, e o investimento em grandes obras, como as intervenções do PAC em favelas, a revitalização da área portuária – “Porto Maravilha” – e as vias expressas Transolímpica, Transoeste, Transcarioca, destacam-se como algumas de suas principais ações. As UPAs e as Clínicas de Família foram as principais realizações na Saúde.

Sem abalos

A oposição tentou apostar na internet para compensar a disparidade do tempo de TV, mas a medida não foi eficaz. Freixo apelou ainda à militância tradicional, que prestigiou durante a campanha e aos artistas, mas a sonhada “Primavera Carioca” – que deu nome a show de Caetano, com participação especial de Chico Buarque – não chegou.

É possível que o candidato do PSOL, o segundo deputado estadual mais votado no Estado do Rio e que se notabilizou pelo combate às milícias, chegue perto dos 25,6% atingidos por Fernando Gabeira em 2008 – em campanha surpreendente que provocou o segundo turno –, mas, ainda assim terá faltado um “Crivella”.

Nos debates, Eduardo Paes manteve uma postura serena, mesmo diante dos ataques dos rivais, nem tão constantes ou poderosos quanto se podia esperar. Os que mais buscaram criticá-lo foram Freixo e Rodrigo Maia; Otavio Leite e Aspásia por vezes até trocaram elogios com o prefeito.

Nem mesmo a revelação, pela revista Veja , de uma fita em que o presidente regional do aliado nanico PTN afirma ter abdicado de candidatura em troca de R$ 1 milhão, foi capaz de abalar a candidatura de Paes. Para cientistas políticos, até a pesquisa divulgada na última terça-feira (2) – com entrevistas feitas entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro – os eleitores não tomaram conhecimento do caso PTN, rotulado pela oposição de “Mensalão Carioca”.

No meio da campanha, por sua vez, Freixo passou praticamente uma semana dedicado a responder perguntas da imprensa sobre a presença no seu partido de um candidato a vereador que teria o nome no relatório da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa assinado por ele mesmo. Berg acabou expulso, mas o obstáculo lhe tomou tempo e deu folga para Paes disparar.

Além de “um Crivella para chamar de seu”, Freixo talvez precisasse ter crescido um pouco mais e de ter a “ajuda” de ao menos mais um candidato com cerca de 10%.

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